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Aplicativo permite agendar consultas médicas a menos de R$ 100

Folha de S.Paulo relata que um aplicativo que permite a realização de consultas eletivas a mensalidades que não ultrapassam R$ 100 vem sendo adotado como alternativa para quem perdeu seu plano de saúde com a crise econômica ou aguarda meses na fila para um atendimento médico no SUS.

A plataforma Dandelin utiliza os princípios de economia compartilhada, permitindo que o paciente pague menos e o médico seja mais bem remunerado.

A mensalidade é cobrada sobre o uso real, levando em conta a quantidade de consultas efetuadas multiplicada pelo valor das consultas dividido entre os membros da comunidade. Atualmente, 3.000 usuários estão cadastrados.

“O valor máximo que cada um vai pagar é R$ 100, independentemente da idade. O preço é variável”, diz o CEO e fundador da plataforma, Felipe Burattini. Para ter acesso ao serviço, basta baixar o aplicativo ou acessar a plataforma.

“Você pode navegar pela plataforma gratuitamente e ver quanto cada um está pagando no momento, além de fazer a pesquisa de especialistas”, afirma.

“O usuário passa a participar do rateio após marcar a sua consulta e incluir uma forma de pagamento válida. A cobrança ocorre sempre no final do mês. Nenhum especialista está autorizado a pegar qualquer quantia do paciente.”

Para o Procon-SP, é necessário deixar claro para o consumidor que esse tipo de serviço não pode ser ofertado como um plano de saúde.

Antes da contratação, o paciente deve ter fácil acesso às informações básicas —o que está incluso, se os médicos possuem registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) e nos devidos conselhos de classe, como e quando poderá acionar o aplicativo, e os valores.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não regula aplicativos nem plataformas de saúde, mas ressalta a importância do consumidor conhecer seus direitos e garantias, que não são iguais às obrigatoriamente oferecidas pelos planos de saúde.

O diretor de arte Fernando Östlundo, 33, virou usuário da startup há oito meses, após ter visto um anúncio em uma rede social. Ele já usou a plataforma três vezes e conseguiu rapidamente consultas com clínico geral, gastroenterologista e psicólogo.

Ainda cadastrado na plataforma, seu gasto mensal não supera R$ 50. “Os profissionais são bons e estão bem localizados”, afirma.

Hoje o aplicativo tem 700 profissionais de saúde cadastrados, entre médicos, dentistas e psicólogos. Oferece 48 especialidades, como cardiologia, cirurgia cardiovascular, plástica, clínica geral e médica, dermatologia, alergologia, odontologia, pediatria, reumatologia, infectologia, pneumologia, psiquiatria, urologia, geriatria, fonoaudiologia e outras.

Burattini diz que, pela plataforma, os médicos chegam a receber 50% acima do valor por consulta pago pelas operadoras de saúde.

Há um ano, a cardiologista Denise Hachul está cadastrada no aplicativo. Para ela, sempre foi angustiante ver pacientes perderem o atendimento porque perderam o plano de saúde.

“Os aumentos [de preço do plano] vão muito além do que o paciente pode pagar, e ele fica sem atendimento. O problema é que a rede pública não absorve. A plataforma permite que eu dê assistência ao paciente sem deixar de receber pelo meu trabalho”, afirma.

SERVIÇO NÃO GARANTE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DE FORMA CONTÍNUA, DIZEM ESPECIALISTAS

O especialista em saúde pública Gonzalo Vecina Neto considera alternativas como o Dandelin uma “meia solução”, porque atendem a um episódio.

“É um atendimento parcial. A maior parte da carga de doenças é de atendimento contínuo, como hipertensão, diabetes e câncer. Estamos falando de doenças responsáveis por 50% da mortalidade do brasileiro”, afirma.

“São problemas que precisam de um olhar contínuo. É o espaço do SUS que deveria responder a isso. Perde o profissional de saúde e o paciente. Este tipo de serviço não é uma solução.”

O coordenador do curso de especialização em administração hospitalar e de sistemas de saúde da FGV-SP, Walter Cintra, afirma que a efetividade desse tipo de serviço do ponto de vista das condições de saúde das pessoas é zero.

“Para casos que precisam de acompanhamento, a plataforma não ajuda em nada. A saúde precisa ser entendida como um sistema”, diz. “É uma grande ideia para tentar se aproveitar de uma falha de mercado que não tem nada a ver com assistência à saúde.”

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