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Companhias conseguem baixar custo com saúde

Valor Econômico relata que, nos últimos anos, com o aumento desenfreado na conta do plano de saúde, as empresas que concedem o benefício aos seus funcionários trocaram de operadora, reduziram a rede credenciada ou aumentaram a coparticipação para controlar essa despesa. No entanto, são medidas paliativas porque a conta do convênio médico volta a subir.

Neste ano, a estimativa é que o plano de saúde empresarial tenha um reajuste médio de 17%. Diante desse cenário, empresas como AmbevFundação Zerrenner, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, GE, McDonald’s, Pirelli e Santander passaram a gerenciar diretamente a saúde dos seus funcionários e respectivos dependentes. Todas conseguiram reduzir significativamente o gasto com o convênio médico e, em alguns casos, hoje pagam menos do que desembolsavam há cinco anos.

É o caso da Ambev-Fundação Zerrenner que, em 2014, gastava R$ 350 milhões com o convênio médico dos funcionários da cervejaria e hoje tem uma despesa de R$ 260 milhões. Neste valor, está a conta do convênio e também de outras ações adotadas para melhorar a saúde dos empregados.

“Se continuássemos na curva de crescimento de gastos que tínhamos em 2014, nós seríamos obrigados a vender patrimônio em 2022 para arcar com o plano de saúde”, disse Edson Carlos De Marchi, diretor executivo da Fundação Zerrenner, acionista da Ambev. A fundação é quem paga o convênio médico da cervejaria, que possui uma carteira com 75 mil usuários entre funcionários, dependentes e aposentados.

As companhias que conseguiram ir na contramão do mercado têm em comum algumas práticas. Por exemplo: investem em atenção primária, têm ambulatórios próprios, fazem gestão de dados da saúde dos funcionários, criaram convênios médicos com uma rede credenciada modelada conforme as necessidades de seus empregados, investem em programas de saúde e, não raras às vezes, arcam com procedimentos médicos de alto custo que não estão cobertos pelos planos de saúde.

O uso de inteligência de dados foi adotado pelo McDonald’s que gastava cerca de R$ 11 milhões com partos e UTI Neonatal, por ano. A rede de lanchonetes tem 40 mil usuários de planos de saúde, sendo uma parcela importante de jovens. Cada parto custava em média R$ 90 mil.

“Fizemos uma análise de dados e detectamos que os maiores gastos ocorriam nas gestantes que faziam menos de quatro consultas de pré-Natal. Criamos uma ação com as grávidas que passaram, por exemplo, a ter isenção da coparticipação nas consultas. O custo com internações de grávidas caiu para R$ 3 milhões”, disse Murilo Wadt, cofundador da HealthBit, startup de gestão de saúde que presta serviços ao McDonald’s.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem desde o ano passado um grupo de trabalho formado por 68 fabricantes que tratam especificamente do tema plano de saúde. Segundo Emmanuel Lacerda, gerente executivo de saúde e segurança do trabalho do Sesi, braço da CNI, um dos avanços deste grupo foi obrigar a ANS a realizar estudos mostrando a efetividade de medicamentos e sua viabilidade econômica na inclusão de novos procedimentos médicos obrigatórios.

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