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Empresas investem para baixar custo dos planos

O Globo relata que entre os 47 milhões de brasileiros que podem hoje contar com um plano de saúde, dois terços estão ligados a planos coletivos empresariais. Assim, a alta dos custos médicos acima da inflação tem cada vez mais impacto no orçamento das empresas. Por isso a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem buscado envolver companhias que são grandes contratantes de planos para participar mais do esforço para reduzir os custos do setor.

– De forma geral, a agência incentiva as operadoras de saúde a não serem meras intermediárias financeiras do setor e a fazer maior gestão da saúde. Para acelerar esse processo, o engajamento das empresas contratantes é fundamental – diz Leandro Fonseca, que encerrou ontem o seu período como presidente da ANS.

Muitas empresas já têm políticas para tentar baixar esse custo. Na operação brasileira da fabricante de pneus Pirelli, os gastos médicos vêm caindo 5% ao ano desde 2016. A receita: em vez de deixar os mais de dez mil funcionários da gigante italiana procurarem assistência do plano de saúde sozinhos, os médicos dos ambulatórios da empresa no Brasil se tornaram uma espécie de coach de saúde.

Quando um empregado chega ao ambulatório da empresa com alguma queixa específica, o médico mapeia o profissional ou os procedimentos mais indicados para resolver o mal-estar. E uma espécie de triagem que ajuda os empregados a fazer um uso mais racional do plano de saúde, que reduz o peso do benefício aos empregados nas contas da empresa.

– Antes, víamos muita gente perdida entre os especialistas à disposição na rede. Agora, conversamos com o funcionário para uma assistência mais assertiva – diz o médico Alexandre Toscano, gerente de Saúde Corporativa da Pirelli para a América Latina.

A fabricante de produtos de higiene e beleza P&G adotou uma iniciativa semelhante nos postos de suas fábricas no Brasil nos últimos dois anos. A iniciativa foi além do atendimento aos funcionários com problemas de saúde e incluiu o atendimento de nutricionistas, educadores físicos e psicólogos para estimular qualidade de vida.

A combinação desses esforços fez a taxa de uso do plano de saúde cair 20 pontos percentuais nos últimos dois anos, destaca Laura Furine, gerente de Recursos Humanos da P&G no Brasil.

Os próprios planos buscam alternativas de menor custo. Em agosto, a SulAmérica acrescentou a rede de clínicas populares Dr. Consulta a uma modalidade de seus planos. A ideia é que o segurado tenha direito a especialistas do grupo e, em casos graves, vá para um hospital da rede Oswaldo Cruz.

Nas contas do presidente da Dr. Consulta, Renato Velloso Dias Cardoso, o plano com esse modelo custa ao paciente 25% menos que o mais barato do segurado até então.

De forma parecida, a Amparo Saúde, rede de clínicas particulares fundada no ano passado em São Paulo com foco em médicos de família, já fechou parcerias para atender segurados de grandes operadoras como Amil, SulAmérica e Unimed. O objetivo é que a atenção básica, de maneira bem feita, reduza casos mais simples nas unidades mais complexas, reduzindo o custo das operadoras, diz o presidente da Amparo Saúde, o médico Gentil Jorge Alves.

Procurada pelo GLOBO, a FenaSaúde, que representa as principais operadoras, reforçou que sua proposta de alteração na legislação para possibilitar a oferta de planos com diferentes opções de cobertura seria uma forma de “atender diferentes necessidades individuais e capacidades de pagamento”. No entanto, a entidade ressaltou que a redução de custos do setor “não passa apenas por aperfeiçoamentos na legislação” e citou mudanças no modelo assistencial e maior atenção primária com foco em prevenção como formas de controlar a inflação médica.

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