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Qual é o segredo da China para ser capaz de erguer um hospital em 6 dias?

As notícias de que a China construirá um hospital com mil leitos em apenas seis dias, na cidade de Wuhan, epicentro de crise causada por coronavírus , causaram espanto e comoção em todo o mundo. Afinal, como é possível erguer uma obra deste porte tão rapidamente? Há até um link com transmissão de obras em tempo real .

O hospital, que deve ser inaugurado já no próximo final de semana, entre os dias 1 e 2 de fevereiro, é um símbolo de como esse país contorna obstáculos técnicos e burocráticos, avançando velozmente na direção de seus objetivos. No caso, assegurar tratamento a todos os doentes de Wuhan, sem precisar transferir para outros locais, o que elevaria o risco de transportar o coronavírus a novas províncias.

O governo chinês é dono de todas as terras do país, por isso consegue deslocar pessoas e ocupar espaços muito rapidamente, apenas pagando indenizações pela parte construída pelos cidadãos. É assim que ele abre estradas, cria rapidamente estruturas públicas e avança onde acredita que é prioridade.

Além disso, apesar de ser uma nação que se apresenta ao mundo como comunista, a China possui um sistema público de saúde para fazer corar até os mais liberais. Não há, por exemplo, saúde pública universal, como o SUS, no Brasil, e mesmo os hospitais públicos cobram seus pacientes quando atendidos. Se você não puder pagar, bem, não serão recebidos.

Isso quer dizer que o foco do governo chinês na saúde não oferece atendimento a todos, mas resolver as grandes questões estruturais, por isso possui recursos para tocar uma obra com grande agilidade.

Para muitos especialistas, uma regra deve-se menos à maldade dos dirigentes chineses e mais demografia. É impossível universalizar a saúde para uma população que representa 20% de toda a humanidade. O poder público faz é subsidiar consultas e medicação. No mais, se você não tiver seguro-privado, terá que pagar a conta sozinha.

O desafio sem correlação no mundo fez da China o paraíso das health techs. Pressionado por uma população que envelhece e requer cuidados, o governo chinês liberou o uso de novas tecnologias em saúde que, em muitos países, está embarcado em discussões éticas, regulatórias ou simplesmente emperrado por lobby de médicos.

Com exceção dos funcionários públicos, como professores e policiais (que podem usar hospitais do governo de graça) e empregados formais de empresas privadas (que usam seguros de saúde obrigatórios, por lei), todos os demais cidadãos devem arcar com suas despesas médicas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 34,4% dos chineses estão nesta situação: sem seguro oferecido pelo empregador, seja público ou privado.

Empresas como Ping An Good Doctor, baseada em Shenzhen, e WeDoctor, baseada em Hangzhou, conquistaram centenas de milhões de clientes ao oferecer planos de saúde de baixo custo, justamente por otimizarem o atendimento aos pacientes via uso massivo de tecnologia.

No caso do WeDoctor, por exemplo, quiosques e pequenas clínicas com um só enfermeiro atendem pacientes que se sentem mal. Exames como medir a pressão, auscultar os pulmões, mediar a temperatura e examinar a garganta são feitos pelo enfermeiro e transmitidos em tempo real para um médico remoto. A partir da análise, o médico determina a gravidade, pede exames ou já prescreve o tratamento.

Já o serviço Good Doctor, designa um médico da família para cada grupo de usuários em uma mesma casa e os consulta por videoconferência no celular, periodicamente. Quando necessário, exames são pedidos e consultas presenciais feitas.

Em ambos os casos, os exames laboratoriais são realizados por ferramentas de inteligência artificial , que interpretam os resultados e dão recomendações ao médico. Estima-se que esta análise automatizada reduza erros médicos até 40% e eleve a produtividade dos doutores, sempre um gargalo para universalização da saúde, em até 25%.

A liberalidade da legislação de saúde chinesa permitiu, ainda, o surgimento de unicórnios como o iCarbonX, fundado pelo geneticista Wang Jun. A empresa, que já vale US$ 4 bilhões, propõe o desenvolvimento de medicações customizadas para o perfil genético de cada paciente, que tem seu DNA mapeado ao entrar para uma plataforma. O serviço ainda mantém, em nuvem, todos os dados médicos de um paciente, permitindo que médicos de quaisquer época ou especialidade tenham acesso ao histórico de exames, tratamento e saúde do paciente.

No caso excepcional das vítimas do coronavírus, um acordo entre os hospitais chineses e o governo central de Pequim permitirá que todas as vítimas sejam atendidas, sem custos para o paciente. Para todos os demais casos do dia a dia, serviços baseados em inteligência artificial e a teleconsulta têm sido uma solução para universalizar o acesso médico a uma população que já supera 1,4 bilhão de pessoas.

Fonte: Uol

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