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Grupo da IG4 Capital começa a gerir hospital público e negocia aquisição

Valor Econômico informa que a Opy Health, grupo de saúde recém-criado pela gestora de private equity IG4 Capital, fechou suas duas primeiras transações na área pública, que demandaram investimento de R$ 200 milhões, e está em negociações avançadas para a compra do controle de um hospital privado. A meta da Opy Health, que hoje tem faturamento de cerca de R$ 230 milhões, é dobrar de tamanho até 2023.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, no fim de fevereiro, a venda do consórcio que administra o Hospital Delfhina Azis, em Manaus, para a Opy Health. O hospital com 370 leitos é uma parceria público privada (PPP) entre o governo do Estado de Manaus e um consórcio formado, inicialmente, pela Abengoa (controladora), SH Engenharia e Magi Clean. Como a Abengoa está em recuperação judicial e essa condição é um impeditivo para investidores estrangeiros, foi desenhada uma solução que envolveu a compra, pelos só- cios minoritários do consórcio, da participação da Abengoa, e sua posterior revenda à Opy Health.

O grupo de saúde foi criado com recursos do segundo fundo da IG4, que levantou US$ 230 milhões — esse capital também será destinado a outras áreas como infraestrutura. “Para os próximos negócios, podemos emitir dívida, usar geração de caixa dos atuais negócios. Ainda não está totalmente definido se vamos usar mais recursos do fundo”, disse Otávio Silveira, presidente da Opy Health.

Silveira foi CEO da Iguá Saneamento, empresa que anteriormente chamava-se CAB Ambiental e cujo controlador, Galvão Participações , envolveu-se na Lava Jato. A IG4 Capital foi a responsável pela reestruturação da companhia de saneamento.

A outra operação recém-concluída pela Opy, após um ano e meio de trâmites no Cade, prefeitura e bancos, foi a aquisição da concessão do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, localizado em Belo Horizonte. Até então, esse hospital municipal, conhecido como Hospital do Barreiro, com 100 leitos, era administrado por uma concessionária liderada pela Andrade Gutierrez, que detinha 51%. A construtora já vendeu sua participação e a outra fatia de 49%, pertencente às empresas de serviços de apoio (“facilities”) Gocil e Vivante, será repassada à Opy Health até o segundo trimestre.

A concessão do Hospital do Barreiro tem um prazo de 20 anos e em Manaus, a PPP tem validade até 2033. A Opy Health é responsável exclusivamente pela área administrativa dos hospitais. O atendimento médico, a contratação de médicos e enfermeiras, a aquisição de medicamentos e materiais de saúde continuam sob responsabilidade do poder concedente.

Em seu processo de expansão, a empresa da IG4 está analisando outras concessões na área da saúde. Atualmente, há outras quatro PPPs no país: em São Paulo, Bahia e Ceará. Além disso, outros projetos nessa linha estão sendo idealizados pelo governo. “Com a crise fiscal, acreditamos que a oferta de PPPs deve crescer. Alguns estudos mostram que um hospital público administrado com setor privado tem um custo 20% menor”, disse o presidente da Opy Health.

Silveira também quer aproveitar o movimento de consolidação no setor privado de saúde. Sua ideia é atrair fundadores e donos de hospitais que não querem se desfazer totalmente do negócio. “Nosso interesse é fazer a gestão e muitos médicos querem permanecer no hospital para cuidar da área assistencial”, disse o executivo, cujo interesse é pelo controle dos empreendimentos. Além de estar em negociações avançadas com um hospital particular, há também conversas com outros hospitais. O grupo não tem interesse em operadoras de planos de saúde.

Outras gestoras como Crescera (ex-Bozano) e Pátria vêm montando plataformas de hospitais, mas exclusivamente com ativos privados.

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