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Preocupação com coronavírus toma prontos-socorros particulares em SP

UOL relata que nos prontos-socorros de dois dos principais hospitais particulares de São Paulo, só uma palavra pairava na noite de ontem: coronavírus. A pandemia de covid-19 tomou também a emergência dos hospitais 9 de Julho e Sírio-Libanês.

Ao acompanhar o movimento dos prontos-socorros na noite de sexta, o UOL pôde constatar que a preocupação com o vírus tomava 90% dos pacientes. Eram raros os que chegavam à triagem e não diziam que gripe, febre, dor de cabeça, dificuldades para respirar, coriza ou tosse estavam entre os sintomas que os levaram até ali.

Em conversas informais, funcionários contaram que este movimento se intensificou desde a última quinta (12). “Hoje, [suspeita de coronavírus] foi praticamente só o que a gente ouviu”, contou uma funcionária.

O procedimento nos dois hospitais é o mesmo: o paciente entra e vai para a triagem. Caso não preencha os requisitos, é encaminhado para o procedimento comum. Caso apresente todos sintomas, torna-se caso suspeito.

Ainda mais se a pessoa teve contato com algum caso confirmado. Como M.C.*, 32, que estava com tosse seca havia quase uma semana e teve febre no dia anterior. Na manhã da sexta, o teste de um amigo próximo deu positivo.

“Eu já estava com medo, agora tenho quase certeza. A cabeça está pesada”, contou. Antes de colocar a máscara, era possível ver vermelhidão em toda a região nasal.

Máscaras cirúrgicas e lenços de papel eram itens comuns nas salas de espera. O som de tosses e espirros se destacavam no silêncio hospitalar, interrompido também pelos anúncios do número de chamada.

O uso da máscara pelos profissionais na recepção era obrigatório. Como protocolo, os dois hospitais também forneciam os utensílios aos pacientes que indicavam os sintomas.

A grande maioria das pessoas acompanhadas pela reportagem não tinha todos os sintomas do vírus. Parte apresentava febre, sem problemas respiratórios, parte tosse ou coriza, sem febre.

“As pessoas estão superalarmadas, hoje deu pra ver. Elas querem ter certeza [se têm ou não o vírus], né? Então está movimentado”, comentou um funcionário, em conversa informal.

Natali Pina, 28, é um dos casos que não tem todos os sintomas, mas, por apresentar quadro de gripe desde o Carnaval, preferiu fazer o exame. Ela trabalha como guia turística para estrangeiros na cidade, o que ajuda a acender o sinal de alerta.

“Não tive febre, mas sinto uma virose desde o Carnaval. Antes achava que era isso, mas não passou. No meu trabalho tem muito estrangeiro, né? Hoje eu tossi e tive que falar ‘pessoal, não é coronavírus’, mas, como está demorando, preferi dar uma olhada”, contou.

A filha da aposentada H.A, 78, também não apresenta todos os sintomas, mas passou o dia com uma forte tosse e decidiu ir ao hospital.

“Nós não vínhamos, mas ela tossiu tanto que achamos mais fácil. A gente mora lá na Zona Norte, depois pra voltar seria muito trabalho… Mas eu não devia nem estar aqui, né? Por causa da minha idade”, refletiu a aposentada, que usava máscara cirúrgica.

Ao longe, ouvia-se uma tosse forte. “Tá ouvindo? É ela, tadinha. Mas até agora não teve febre, não. Tanto que nem encaminharam ela lá para dentro”, contou.

Muitas máscaras na rua

Os dois hospitais ficam a cerca de três quarteirões de distância no centro expandido da capital paulista. O funcionário de uma farmácia entre eles diz que o número de pessoas com máscaras cirúrgicas (e à procura delas) explodiu nos últimos dois dias.

Eliana da Silva, gerente de uma lanchonete também localizada entre ambos, teve a mesma percepção. “Agora você vê muito mais [pessoas com máscara]. Elas não chegam a entrar, mas passam na rua o dia todo”, contou à reportagem. “Espero que vá logo embora esse coronavírus. Já deu!”, reclamou.

No período da noite, a reportagem não teve a mesma percepção. “De dia é assim ó”, disse Eliana, fazendo o sinal de lotação com as mãos

* Algumas pessoas ouvidas pela reportagem pediram que seus nomes fossem suprimidos para não alarmar familiares.

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