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País já tem 18 mortos pelo novo coronavírus; testes serão ampliados

O Estadão relata que, com 18 mortes, 1.128 casos confirmados e letalidade de 1,6% da covid-19 no País, o governo anunciou a chegada de 5 milhões de novos testes rápidos nesta semana. Há possibilidade de que esse número passe a 10 milhões. Com isso, o Brasil começará a testar também os casos menos graves. A determinação anterior era de que fossem feitos testes apenas de casos graves, o que vinha provocando críticas de médicos e cientistas, que cobravam diagnósticos mais rápidos e baratos. O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo

Reis, afirmou ontem que a produção de hidroxicloroquina e azitromicina, remédios usados de forma experimental contra a doença, será ampliada. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decretará quarentena em todo o Estado por 15 dias, a partir de terça-feira. A determinação prevê fechamento do comércio e serviços não essenciais. Bares e restaurantes funcionarão apenas com serviços de delivery.

Após críticas de médicos e cientistas sobre a carência de diagnósticos para coronavírus no Brasil, o que impedia que se conhecesse o tamanho real da epidemia, o governo federal anunciou ontem a chegada de 5 milhões de novos testes rápidos no País já na semana que vem, com a possibilidade de subir para 10 milhões nas próximas semanas. Com isso, o Brasil começará a testar também os casos menos graves de covid-19. A determinação anterior era testar apenas os casos graves. Esse quadro tinha provocado uma mobilização de pesquisadores não somente para aumentar a oferta de testes como para criar diagnósticos mais rápidos e baratos.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, afirmou que, com a mudança, deve cair a taxa de letalidade, uma vez que aumentará a contagem. Cada kit de teste custará R$ 75. Até o momento, o governo distribuiu 17 mil kits pelo País e todos os 1.128 casos de coronavírus registrados foram confirmados por teste laboratorial.

Especialistas defendem que a melhor forma de lidar com a epidemia é saber como ela está se espalhando. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu na semana passada que todos os países “testem, testem, testem”. A organização vem citando com frequência, como bom exemplo, o caso da Coreia do Sul, que já testou cerca de 300 mil pessoas – para uma população de 51 milhões. O país chegou a criar uma espécie de drive-thru de testes, o que deve ser adotado também no Brasil.

Antes da mudança de postura do governo, cientistas iniciaram forças-tarefa em vários cantos do País para convocar voluntários a ajudar a fazer os testes, aproveitar insumos que seriam usados em outras pesquisas, atrair laboratórios privados, além de tentar desenvolver novas formas de diagnóstico.

Um dos esforços é da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tenta criar um teste sorológico para detectar a infecção – em vez do genético (PCR), como é feito hoje. Se der certo, a expectativa é de que com uma gota de sangue do paciente será possível saber se ele tem o coronavírus e em qual estágio.

A pesquisa é liderada por Leda Castilho, coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da Coppe/UFRJ, que começou a trabalhar nesse assunto no começo de fevereiro, tão logo cientistas chineses sequenciaram o genoma do coronavírus que afetava o país desde dezembro.

Seu grupo está produzindo em laboratório uma cópia de uma proteína da espícula (aquelas pontinhas do vírus). Com esse material, será possível detectar se o paciente desenvolveu anticorpos para a covid-19, já que eles reagiriam à proteína.

“O corpo, ao ser infectado, produz diferentes tipos de anticorpos para se defender. Tem um específico para a mucosa, um outro produzido poucos dias após o contágio – em geral, quando os sintomas aparecem – e tem outro produzido cerca de duas semanas após a contaminação. Pretendemos identificar os três tipos. Isso vai permitir saber se a pessoa está contaminada ou esteve recentemente e ficou sem sintomas, por exemplo. Se não reagir com nenhum deles, a pessoa provavelmente estará com outra doença”, diz.

Leda não quis dar estimativa de quando o teste poderá estar pronto, mas diz esperar que seja antes de três meses – a tempo de ser usado ainda nesta onda da covid-19. Em média, a diferença de preços do PCR para exame sorológico é de 1/3 a 1/4.

Ação imediata.

Enquanto uma nova estratégia não surge, os esforços são para aumentar a capacidade de testagem no sistema atual – que identifica se o coronavírus está ativo. Na USP foi criada nesta semana uma rede colaborativa com laboratórios de 17 unidades da universidade para ajudar nos diagnósticos.

Uma das linhas de atuação é ajudar a atender às demandas do Hospital Universitário, que estava apresentando dificuldade de resposta. Testes começaram a ser conduzidos nesta semana no Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Biomédicas, e, a partir de amanhã, serão feitos também pela Plataforma Pasteur-USP, que entrou em operação em fevereiro.

“Isso é importante para evitar que ocorram novos casos como o da Prevent Senior (operadora do hospital onde houve as primeiras mortes por coronavírus no Brasil), em que a primeira vítima nem tinha sido diagnosticada”, afirma Luís Carlos Ferreira, diretor do ICB e coordenador da plataforma Pasteur-USP. “A gente precisa de rapidez para saber se alguém que chega ao hospital está com coronavírus e agir de acordo.”

Para entrar rapidamente em ação, enquanto reagentes ainda estavam sendo comprados, os pesquisadores começaram a pedir esses e outros insumos necessários aos testes para outros laboratórios e pesquisadores. “Pedimos ajuda a quem pudesse colaborar e foi uma surpresa. Logo tivemos resposta de mais de cem pessoas. Desde estudantes se colocando à disposição para trabalhar até laboratórios oferecendo reagentes.”

Na quinta, o Estado publicou um artigo do neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ e do Instituto D’Or, em que ele disse que só a ciência poderia oferecer respostas para a testagem em massa. Na sexta, mais de uma dezena de grupos de pesquisa responderam relatando o que estão fazendo para ajudar.

Um deles é da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que está colocando seus cientistas para ajudar na capacidade de diagnóstico do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado. “A universidade tem vários professores que dominam as técnicas de biologia molecular e se voluntariaram para ajudar. A falta de insumos tem sido um problema em todo o mundo, então vários pesquisadores que tinham reagentes em seus laboratórios ou máscaras estão colocando esse material à disposição”, relata Selma Jeronimo, diretora do Instituto de Medicina Tropical da UFRN.

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