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Casos graves sobem 40% e SP pode ampliar restrições

Estadão continua que, em 24 horas, o número de pacientes internados em estado grave com covid-19 no Estado de São Paulo cresceu 42%, passando de 59 para 84. Diante desse quadro, o governo paulista cogita até o fechamento total do Estado (lockdown) como medida a ser adotada no futuro, caso o sistema de saúde se aproxime do colapso. São Paulo tinha ontem 48 das 77 mortes registradas no País.

O número de internados com coronavírus em estado grave em São Paulo teve alta de 42% em um dia – foi de 59 para 84 entre quarta-feira e ontem. No total, o Estado tem 862 casos confirmados e 58 mortes. O governo paulista afirmou que manterá a quarentena e cogita ampliar restrições – o secretário da Saúde, José Henrique Germann, citou até o fechamento total do Estado (lockdown) como medida futura, caso hospitais entrem em colapso. O Ministério da Saúde disse reprovar endurecimento das regras e o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a pasta já concordou com orientações mais brandas sobre isolamento.

A avaliação de técnicos do Estado é de que fechar o comércio retardou o avanço da doença, na comparação com o resto do País. “Éramos praticamente 90% dos casos do Brasil e agora somos 30%. O que significa que há expansão da epidemia, e de forma acelerada”, disse Germann. No Brasil, são 77 mortes e 2.915 casos diagnosticados, em todos os Estados e Distrito Federal. São Paulo concentra a maioria dos óbitos, mas há registros em Rio, Ceará, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul e Amazonas.

Desde a semana passada, a determinação da gestão João Doria (PSDB) foi a de fechar o comércio, exceto serviços essenciais, como mercados e farmácias. A medida vale pelo menos até o dia 7. Ontem, o diretor-presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, voltou a defender o isolamento social.

Já Bolsonaro tem criticado essas medidas e fala em risco de risco de crise econômica. Ontem, disse que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já concordou em mudar a recomendação de isolamento geral para o chamado isolamento vertical, em que só alguns grupos – como idosos ou doentes crônicos – ficam em casa. O presidente disse que não há prazo para que a mudança ocorra. Mandetta não participou de entrevistas coletivas ontem.

A gestão Doria cogita aumentar ainda mais as restrições conforme a evolução da epidemia. “Existe uma gradação. O que estamos fazendo não é um isolamento. É distanciamento social. O próximo passo, se houver necessidade, é isolamento domiciliar ou social. E, se houver necessidade ainda de apertar mais esse cinto, aí seria o lockdown. E a característica, aí, é o uso da força policial para manter as pessoas em casa”, afirmou Germann. “Não estamos nesta situação ainda, mas não sei se estaremos ou não.” Doria disse anteontem cogitar multas a idosos que saiam de casa sem necessidade, como foi anunciado em Porto Alegre.

Segundo Germann, “se mantivermos idosos em casa, tal qual lockdown, teremos comportamento da crise que talvez nos favoreça nesse ponto para não colapsar o sistema de saúde”. No Estado, já são erguidos hospitais de campanha e unidades de referência têm se preparado para a chegada do pico do surto. O Hospital das Clínicas, por exemplo, liberou 900 leitos para atender à nova demanda.

Para o secretário, o ritmo de aumento de infecções confirmadas em São Paulo mostra que as medidas de restrição são “suficientes, ou vêm colaborando de forma bastante efetiva”.

Efeitos. Secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Oliveira disse ser precoce avaliar impactos do isolamento. “As (medidas) mais intensas foram adotadas por São Paulo não tem nem duas semanas. Mas acredito que terão efeito. Não sei se as medidas vão influenciar na Bahia, Estados que estão longe. Possivelmente sim. São Paulo é referência.”

E João Gabbardo, secretário executivo do ministério, sugeriu isolamento menos restrito. “Não vemos sentido na proibição de que pessoas não possam andar na quadra, no parque. Vai fazer bem. É importante uma caminhada de 30 minutos.”

Especialistas dizem que o isolamento é a medida mais indicada para conter o avanço rápido da epidemia, mas leva alguns dias para ver os resultados. Para Bernardino Souto, médico e pesquisador da Universidade

Federal de São Carlos (UFSCar), é cedo para mapear resultados da quarentena paulista. “É possível que São Paulo tenha tomado medida mais radical e a quarentena esteja ajudando. Mas essa é uma hipótese.”

Outro ponto, diz Souto, é dimensionar o alcance da testagem no Brasil. Pesquisas estimam cerca de 84% dos casos não diagnosticados, por serem assintomáticos ou falta de exame. A testagem em larga escala é considerada crucial para rastrear o avanço da doença – foi a aposta da Coreia do Sul, que conseguiu controlar o surto. O Brasil promete 22,9 milhões de testes, mas esbarra em desafios logísticos, como a capacidade de produção da Fiocruz.

Gabbardo afirmou esperar alta diária de casos em 33% e destacou que o País tem ficado abaixo. “Esperamos não ter crescimento abrupto (da curva de infecção), como a Itália (que está em quarentena e tem 80,5 mil casos ).”

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