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Hapvida corta caminho para abastecer

Valor Econômico relata que a Hapvida montou uma operação de guerra com aeronave exclusiva para retirada das mercadorias diretamente nos fabricantes, está adquirindo máscaras de proteção em produtores alternativos, além de ter uma equipe noite e dia negociando com fornecedores e distribuidores. A operadora, que atende a quase todos os seus 3,5 milhões de usuários em rede própria, quer chegar ao fim de abril, quando deve ocorrer o pico da pandemia, com um estoque de 120 dias.

Ao contrário do último ano, quando o foco era promover aquisições para crescer, agora a companhia quer preservar caixa diante da instabilidade que o novo coronavírus vem gerando. Os investimentos em novas praças e as negociações para aquisições foram interrompidos por 60 dias.

A companhia encerrou o ano passado com um fluxo de caixa livre (excluindo as aquisições) de R$ 370 milhões.

Além de correr atrás de materiais médicos, a companhia está ampliando sua rede própria para atender as possíveis demandas de pacientes afetados pelo novo coronavírus. Está prevista para as próximas semanas a abertura de 220 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que representa um aumento de quase 40% em relação ao volume atual. Foram adquiridos 110 respiradores para equipar as novas UTIs.

A operadora também vai erguer até 1,5 mil leitos provisórios de baixa complexidade. Essas unidades de internação vão se somar aos leitos que estão sendo desocupados com o cancelamento de procedimentos eletivos. A estimativa é que cerca de 70% dos procedimentos eletivos sejam desmarcados.

Atualmente, a Hapvida conta com 2,6 mil leitos, sendo 555 de UTI distribuídos em 39 hospitais e 42 pronto atendimentos. Do volume total, 40% estão ociosos. O recomendado é que os hospitais tenham uma taxa de ocupação de 90% dos seus leitos e não 100% para haver tempo de trocas e limpeza dos quartos de internação.

“Acreditamos que não vamos precisar de toda essa estrutura, mas estamos trabalhando no cenário mais crítico para garantir todo o atendimento”, disse Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida, que realizou teleconferência para analistas e investidores recluso num quarto de sua casa porque testou positivo para o novo coronavírus. “Tenho sintomas leves e estou trabalhando normalmente, na verdade até mais porque estou totalmente isolado”, contou Pinheiro, que não sabe onde pode ter sido contaminado, uma vez que não fez viagens internacionais recentemente.

Nas regiões Nordeste e Norte do país, a incidência do novo coronavírus é bem menor do que o Sudeste. A operadora tem 15 usuários com o novo coronavírus, sendo que apenas dois estão internados.

Questionado sobre o impacto da pandemia, o executivo disse ainda que não é possível mensurar esse indicador porque há muitas variáveis. “O desemprego pode afetar sim, mas ao mesmo tempo nesse momento de pandemia, a tendência é que as pessoas procurem mais plano de saúde” argumentou Pinheiro.

A companhia encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 852 milhões, o que representa um aumento de 10%. A receita líquida avançou 23%, para R$ 5,6 bilhões. Desconsiderando as aquisições, a receita aumentou 14,5%.

No quarto trimestre, o lucro líquido caiu 8% devido a um aumento na linha de ressarcimento SUS (cobrança feita pelo governo quando uma pessoa com convênio médico usa a rede pública de saúde) que aumentou quase cinco vezes. O governo cobrou, no quarto trimestre, procedimentos referentes a 15 meses, cujas cobranças estavam paradas.

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