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Hospitais retomam procedimentos eletivos

Valor Econômico relata que que os hospitais privados começaram a registrar, na semana passada, o retorno de pacientes com outras doenças, embora a prioridade ainda seja o atendimento de casos de covid-19. Esse movimento tem ocorrido basicamente por três motivos: muitas pessoas deixaram seus tratamentos de lado com receio de ser contaminadas no hospital pelo novo coronavírus e agora estão chegando em estado grave nos pronto-socorros; outros pacientes não conseguem mais adiar os procedimentos médicos previstos antes da pandemia; e a separação, nos hospitais, de alas só para atender problemas respiratórios deixou os demais pacientes mais seguros para retomar tratamentos.

Esse movimento foi percebido nos hospitais da Rede D’Or, que possui 50 unidades no país, no Grupo Americas Serviços Médicos, pertencente à UnitedHealth Group com 18 hospitais, e também no Albert Einstein, no Alemão Oswaldo Cruz, no HCor, no Moinhos de Vento e no Sírio-Libanês.

A retomada é bem recebida pelos hospitais, que viram suas receitas despencarem com o cancelamento de cirurgias eletivas e demais procedimentos, mas também é vista com cautela. Isso porque apesar de os hospitais privados estarem registrando uma estabilidade e até uma pequena queda no volume de casos de coronavírus, principalmente em São Paulo, o relaxamento da quarentena a partir de maio deve provocar novos picos e obrigá-los a concentrar novamente as atenções na covid-19.

“Há cerca de um mês, estávamos no pico de ocupação devido à covid-19 e doenças respiratórias. Cancelamos procedimentos agendados por um período de um mês, continuamos só com as urgências. Há cerca de uma semana voltamos a realizar procedimentos e cirurgias eletivas, mas não de todas as especialidades, como estética, por exemplo”, disse Fernando Ganem, diretor clínico do Sírio-Libanês, que tinha 60% dos leitos de UTIs ocupados por pacientes com sintomas de covid-19 na sexta-feira.

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, reabriu na semana passada o atendimento para consultas, exames e cirurgias. “Fechamos o hospital para procedimentos não urgentes assim que registramos o primeiro caso de covid-19 [18 de março] e reabrimos na quinta-feira os agendamentos de consultas. No primeiro dia, marcamos 399 consultas e vieram 316 pacientes. Há uma demanda, mas vamos atender de forma intercalada para evitar aglomeração”, disse Gisele Nader Bastos, diretora médica do Moinhos de Vento, que tem capacidade para realizar mais de 1,1 mil consultas por dia.

Na sexta-feira, o hospital gaúcho tinha 100 pacientes com covid-19 ou suspeita da doença, sendo 14 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No pico, o Moinhos de Vento tinha 20 pacientes em UTIs. “Se percebemos um aumento de casos de coronavírus, vamos fechar novamente”, disse Gisele. O Rio Grande do Sul vai adotar a partir de maio um isolamento social controlado, cuja abertura varia conforme o número de casos de covid-19 e a oferta de leitos disponíveis por região.

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, houve um aumento de 14% no número de cirurgias realizadas na semana passada quando comparado ao período imediatamente anterior. “Percebemos, sim, um crescimento, mas ainda não dá para saber se esse movimento vai persistir. Neste mês de abril, o volume de cirurgias caiu de 1,3 mil para 600”, disse Paulo Bastian, CEO do Alemão Oswaldo Cruz, que separou um bloco do hospital exclusivamente para pacientes com problemas respiratórios.

Leandro Tavares, vice-presidente médico da Rede D’Or, alerta para a grande quantidade de pacientes chegando aos prontos-socorros em estado muito grave. “Um tratamento de paciente crônico não é adiável. Me preocupa muito o fato de podermos ter picos de casos de covid-19 e de pacientes que adiaram seus tratamentos rotineiros”, disse.

Sidney Klajner, presidente do Albert Einstein, também se mostra preocupado com o risco de haver dois picos e uma sobrecarga ainda maior no sistema de saúde nos próximos meses. Segundo Klajner, o Einstein percebeu um crescimento sensível no volume de outros procedimentos médicos na semana passada. “Adotamos fluxos exclusivos, com entradas distintas, colaboradores específicos, entre outras medidas que têm deixado nossos pacientes mais seguros para vir ao hospital”, disse Klajner, que realizou mais cirurgias e consultas na semana passada.

Hoje o volume de casos de covid-19 no Einstein está estabilizado e os esforços estão sendo redirecionados para o Hospital Municipal M’Boi Mirim, localizado na periferia de São Paulo, que é administrado pelo Einstein. “Estamos enviando nosso pessoal para o M’ Boi Mirim e para o hospital de campanha do Pacaembu. A demanda na área pública está muito alta, com muitos hospitais já cheios”, disse Klajner.

O Sírio-Libanês está montando 10 UTIs no Hospital das Clínicas, cujos 200 leitos de urgência para pacientes com covid-19 ou suspeita da doença chegaram em sua capacidade máxima. O Sírio está enviando médicos, respiradores pulmonares e treinando enfermeiros do HC.

No HCor, a média diária de cirurgias era de 30 e atualmente são 10. Fernando Torelly, superintendente do HCor, lembra que os cancelamentos partiram dos pacientes com receio de serem contaminados e também das operadoras de planos de saúde.

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