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Ministro da Saúde fala em mil mortos por dia e defende isolamento

Estadão informa que o ministro Nelson Teich (Saúde) admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de mil mortos por dia por covid-19 e mudou o tom sobre a flexibilização do isolamento social defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. Teich afirmou que o momento é impróprio, em virtude do avanço de mortes e contaminações. “Neste momento, ninguém está pensando em flexibilizar nada”, disse. “Há uma curva em plena ascendência.”

O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, disse que o confinamento é “praticamente inútil”. O País encerrou abril com um total de 5.901 óbitos e 85.380 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Em 24 horas, foram 435 mortes e 7.218 novos casos. Teich disse que, no momento, o foco é apoiar a infraestrutura de Estados e municípios em situação de emergência.

Levantamento do Estado aponta que a ocupação de leitos de UTI já superou 70% em pelo menos seis Estados. A Prefeitura de SP pode determinar limites à circulação de carros. No Maranhão, juiz ordenou que quatro cidades entrem no regime de lockdown, que veta circulação que não seja de urgência.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu medidas de ampliação de isolamento social em São Paulo, Rio e Amazonas, como resposta ao aumento de contaminações pela covid-19. O ministro ainda admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortes por dia. Ontem foram 435. Teich considerou que flexibilizações já anunciadas correm o risco de ser canceladas. Mas o presidente Jair Bolsonaro voltou a considerar que o confinamento foi “praticamente inútil”.

As gestões paulista e fluminense são alvo de críticas diárias do presidente, que chegou a dizer que o aumento de mortes seria culpa do isolamento adotado pelos Estados. Ontem, em sua transmissão nas redes sociais, Bolsonaro voltou a criticar a quarentena. “Todo empenho em achatar a curva foi inútil. Consequência disso foi o desemprego, o povo quer trabalhar”, afirmou. No fim, Bolsonaro se solidarizou com as vítimas e os profissionais de saúde, mas ressaltou que, no Dia do Trabalho, a população está impedida de trabalhar.

Mais cedo, indagado no Palácio do Planalto sobre o aumento das restrições de circulação, o ministro Teich disse que se tratava de uma “medida coerente” e, dada a situação desses Estados (SP,RJ e AM), é o que precisa ser realmente feito. “Se você tem lugares com aumento de incidência e mortalidade, a primeira coisa é aumentar o distanciamento para diminuir o contágio”, disse Teich. “É uma medida absolutamente natural.”

A posição foi reiterada pelo assessor especial Denizar Vianna. “Qual a avaliação do ministério? Se nós estamos diante de uma doença onde não há, ainda, um tratamento específico, onde não há prevenção, não há vacina, resta o quê? O isolamento social”, comentou. “Então, a medida adotada é coerente por parte do gestor.”

De acordo com o chefe do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, David Uip, aconteceu ontem uma reunião entre a Secretaria Estadual da Saúde e o Ministério da Saúde, com a presença de Teich. Conforme

Uip, o ministro defendeu a manutenção do isolamento social e também falou sobre a dificuldade da compra de insumos, principalmente respiradores.

A mudança de postura de Teich, que hoje já não dá nenhuma data para qualquer flexibilização das medidas de isolamento social, deve-se, basicamente, ao aumento acelerado de mortes e contaminações. O País encerrou abril com um total de 5.901 óbitos e 85.380 pessoas contaminadas. Por isso, decisões de flexibilização correm o risco de terem de ser canceladas, dado o avanço da doença. “Em algum momento, isso vai ter de ser flexibilizado. Na hora que isso acontecer, vai ter de ter calma, porque pode ser que você tenha de recuar. Senão, isso vai virar uma guerra. Todo mundo tem de estar junto, porque aquilo que você faz hoje pode ter de ser revisto amanhã.”

O ministro também disse que as “diretrizes” montadas pelo ministério para que Estados e municípios tracem planos de flexibilização serão divulgadas individualmente, conforme demandadas, e não como um plano geral, para não criar distorções, dada as peculiaridades de cada local. Segundo ele, se a liberação da diretriz soar como uma orientação ou recomendação de relaxamento, “seria muito ruim, porque não é o caso”.

Momento impróprio. Teich, ao contrário do que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, também considerou o momento “impróprio” para discutir o assunto, dado o avanço crescente de mortes e contaminações. “Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida (da flexibilização), mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência.”

Para ele, o País pode chegar ao registro de até mil óbitos por dia. “É um número possível de acontecer. Não quer dizer que vá acontecer”, comentou. Nelson Teich disse que, apesar de haver muitos municípios com poucos casos confirmados, cerca de 15% dos municípios mais sensíveis concentram a maioria da população. “Se a gente não parar para entender e ficar polarizando se é bom ou ruim, não vai levar a nada. Temos de analisar isso de forma tranquila e equilibrada”, disse.

Quando chegou ao ministério, Teich disse que estava 100% alinhado ao discurso de Bolsonaro e o País precisava a tratar de medidas de flexibilização. A realidade, porém, é que o crescimento rápido do vírus em todo o País tem feito com que o Ministério da Saúde tenha de dar prioridade à agenda de socorro a locais que passam por todo tipo de dificuldade, como é o caso das cidades de São Paulo, Rio, Recife, Manaus e Fortaleza.

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