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Forma de cuidar da saúde precisa mudar

A pandemia do coronavírus está reforçando a constatação de que o setor de saúde suplementar precisa se organizar de maneira diferente, com menos foco na doença e mais na saúde dos beneficiários. Isso significa maior ênfase na prevenção, tratamentos e procedimentos baseados em evidências e uma medicina mais centrada na atenção primária. O novo sistema também precisa ser dinâmico em relação às rápidas mudanças que ocorrem e ocorrerão no mundo.

“Neste momento, mais que nunca, está sendo provado que o modelo atual, muito focado na doença e pouco na prevenção, não é bom para ninguém. Temos que implementar medicina baseada em evidência, em geração de valor para o paciente”, afirmou a diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente (foto), em webinar promovido pela empresa de tecnologia Bionexo, na última terça-feira, 5/5.

Ao mesmo tempo em que as operadoras de planos e seguros de saúde privados terão de redimensionar suas redes de assistência no pós-pandemia, a regulação precisará se tornar mais adaptada à nova realidade, para permitir que mais pessoas sejam acolhidas no sistema suplementar.

“Estamos vendo, com muita clareza, que é necessário promover acesso de forma muito mais ampla, sobretudo por meio de planos individuais, porque a situação vai ser agravada no pós-pandemia, com mais trabalhadores por contra própria e menos empregos formais”, prevê Vera.

Mediador do webinar, o CEO do H-Cor, Fernando Torelly, antevê a necessidade de um “choque de eficiência” no setor de saúde, com foco cada vez maior naquilo que gera valor para os pacientes. “Só existe uma solução para a gente sobreviver: efetivamente é um choque de eficiência em toda a cadeia produtiva. Aquilo que não gerar valor tem de ser eliminado. Não há como manter na cadeia o que não for eficiente”.

A pandemia, acredita ele, reforçou ainda mais a necessidade de o país investir em prevenção e atenção primária. “Por que está havendo redução de receita dos nossos hospitais? Porque o modelo de remuneração está baseado na doença. Se não tem doente, não tem receita. É preciso mudar esta lógica”, disse.

CEO da Central Nacional Unimed, Rodrigo Guerra, também debatedor no webinar, enxerga novas maneiras de organização do setor num futuro próximo. “A gente tem de manter o salário das pessoas, manter a cadeia viva. A capacidade de responder ao inusitado vai definir quem vai sobreviver, com maior nível de eficiência administrativa: gastar pouco e medir tudo”.

Com o tema “Aprendizados da pandemia que ajudam a agir no presente e a pensar o futuro da saúde suplementar”, o webinar também contou com a participação de Rodrigo Aguiar (diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar) e Ary Ribeiro (CEO do Hospital Sabará). A curadoria foi de Maurício Barbosa, fundador da Bionexo.

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