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Cinco Estados à beira do colapso

Estadão informa que pelo menos cinco Estados lutam contra UTIs lotadas, baixo isolamento social e números crescentes de mortalidade. Na Grande São Paulo, duramente atingida pela doença, 13 hospitais não recebem mais ninguém e 91,8% das vagas em UTIs estão ocupadas. E o rápido avanço da pandemia rumo ao interior do Estado preocupa as autoridades.

No Rio, que está sem os hospitais de campanha prometidos, há centenas nas filas de espera por uma vaga na UTI, enquanto em Pernambuco, diante do colapso dos hospitais, Unidades de Pronto-atendimento, destinadas a casos de menor complexidade, atendem pessoas em estágio avançado de insuficiência respiratória. Na Região Norte, Amazonas ainda espera o pico da doença para os próximos dias e no Pará um sistema de atendimento confuso causa mortes e provoca revolta.

A região metropolitana de São Paulo já tem 13 hospitais lotados e que não recebem mais pacientes. A taxa de ocupação dos leitos em UTIs está ao redor de 91%. Mas é o aumento de casos no interior do Estado o que mais preocupa as autoridades de saúde no momento: a covid19 chegou na sexta a 500 município do Estado (que tem 645 cidades), e a taxa de crescimento no interior é quase quatro vezes maior do que na capital.

Na cidade de São Paulo, coração da doença, se em março a abertura de novos leitos foi feita às centenas, agora o conserto de 12 respiradores é comemorado, uma vez que dá sobrevida a um sistema perto do limite.

São Paulo briga para manter ao menos metade dos habitantes em casa e só conseguiu alcançar taxa de isolamento social acima de 50% durante a semana passada por causa do feriadão. A cidade não parou porque conseguiu ativar leitos próprios antes da crise, montou quatro hospitais de campanha, alugou espaço na rede privada e passou a gerenciar na ponta do lápis cada vaga disponível, de modo a saber o total de leitos livres em cada hospital para transferir pacientes. O modelo permitiu que ninguém morresse por falta de atendimento, segundo o governo, mas obriga parentes a fazerem deslocamentos cada vez maiores atrás de notícias de seus familiares.

Todos os dias, a cabeleireira Débora Ferreira, de 47 anos, percorre de carro 29 quilômetros entre o Jardim Santa Margarida, no Jardim Ângela, zona sul, e o Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouvêa, na Mooca, zona leste, onde o marido, de 53 anos, está internado. “Ele foi para o (Hospital de Campanha do) Anhembi e depois veio para cá.” Foi transferido porque precisou ser entubado. “Falaram que foi onde conseguiram vaga”, diz Débora, que acompanhava à distância o oitavo dia de internação do marido.

Mesmo assim, pode haver demora para conseguir a vaga. O vendedor Wellington Rodrigues dos Santos, de 31 anos, levou seu pai no dia 10 para o PS da Mooca. Ele foi medicado e aconselhado a voltar para casa. Três dias depois, piorou e voltou ao centro médico. “Aí eles internaram”, conta o rapaz. O pai passou a receber oxigênio, e o filho foi informado que ele precisava ir para a UTI. “Foi transferido só dois dias depois.”

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, diz que a Prefeitura passou a estudar a necessidade de contratar leitos de média complexidade em hospitais da rede privada. Já há mais de 300 de UTI particulares usados por pacientes da rede pública. “Estamos avaliando a necessidade e os custos.”

Essa medida se soma à instalação de mais 20 respiradores vindos do governo Federal, a 12 respiradores próprios consertados e a equipamentos que ainda devem chegar do governo do Estado. São ações que fazem o governo avaliar que será possível chegar ao término da pandemia antes de entrar em colapso.

“Esse aperto que tivemos neste mês e ainda estamos tendo, talvez a gente consiga superar”, disse ao Estadão. A cidade tem cerca de 600 leitos de UTI ativos, e cerca de mil respiradores ao todo, informa o secretário.

As transferências mais longas de pacientes, da Grande São Paulo para o interior, eram apontadas como uma saída para a eventual falta de vagas no Estado. Agora, o foco do Centro de Contingência do Coronavírus é justamente o interior.

Das cerca de 5.300 vagas de internação em UTI disponíveis no Estado, mais de 4.400 já estão ocupadas. “Todas as regiões do Estado têm aceleração maior do que a região metropolitana nesse momento”, diz o secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi. “O ritmo de crescimento de óbitos no Estado em seis regiões já é maior do que na região metropolitana.” Ocorre que o total de leitos de internação no interior é menor. Na região de Presidente Prudente, por exemplo, entre 30 de abril e a segunda-feira passada, houve aumento de 395% no número de casos, de 61 para 302. A região tem 36 leitos públicos de UTI, com previsão de aumento de mais dez.

Vinholi ressalta que o isolamento adotado no início da pandemia foi o que segurou a explosão de casos no interior. Garante que não haverá colapso. “São Paulo fez a lição com isolamento no momento certo, o que possibilita que o sistema público de saúde não entre em colapso.”

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