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Pandemia faz uso de planos de saúde ser o menor desde 2016

Pacientes adiam cirurgias e exames eletivos, e gastos das operadoras caem

Os planos de saúde registraram, em maio, a menor utilização por seus beneficiários desde 2016, quando o movimento começou a ser acompanhado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Boletim divulgado ontem pela ANS mostra que a relação entre os gastos das operadoras com atendimentos e o valor recebido em mensalidades caiu de 76% em abril para 66% em maio, por causa da suspensão de consultas, exames e cirurgias eletivos, em função da pandemia do novo coronavírus.

A taxa média dos últimos quatro anos era de 76%, e o pico, de 85%, em abril e junho de 2016. O levantamento também registra ligeira alta no número médio de inadimplentes: de 13% em abril para 16% no mês passado.

Para Ana Carolina Navarrete, coordenadora de pesquisa em saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idee), apesar da redução de custos, os planos não têm facilitado a negociação com consumidores que não conseguem pagar em dia.

– A inadimplência já subiu um pouco, e a tendência é se agravar, já que as empresas estão dificultando a negociação de mensalidades – afirma.

A médica sanitarista Ligia Bahia diz que, mais do que facilitar as negociações de inadimplentes, as empresas teriam condições de oferecer algumas facilidades a quem perdeu renda:

– A redução da procura por cuidados permite aumentar os retornos financeiros das operadoras, porque recebem as mensalidades e estão pagando menos para os prestadores de serviços. Essa “folga” na entrada de recursos deveria estimular a redução temporária do valor das mensalidades – diz.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar argumenta que a redução da sinistralidade, ou seja, da utilização dos serviços, coincide com momento crítico da pandemia no país e, por isso, tende, a ser pontual e localizada. E deve aumentar depois de passada essa fase e “será suportada pelas operadoras sem qualquer ônus adicional aos usuários”.

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) diz que o crescimento da inadimplência preocupa e que ainda não é possível dimensionar seu real impacto no setor. A associação vai solicitar uma reunião com a ANS “para se aprofundar nas informações levantadas”.

Segundo o estudo da ANS, os dados não indicam, até o momento, desequilíbrio assistencial ou econômico-financeiro no setor.

Os números de maio mostram aumento na taxa de ocupação geral de leitos (com e sem UTI), de 51%, em abril, para 61%. Mesmo com a alta, o percentual ainda é menor do que o registrado em maio do ano passado: 76%. Já o uso de leitos para atendimento à Covid-19 aumentou de abril para maio: de 45% para 61%.

Fonte: O Globo

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