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ANS abre consulta pública para incorporação de novas terapias, incluindo tratamentos para tumores hematológicos

Entre eles está o mieloma múltiplo, que representa 10% dos casos de câncer de sangue e atinge principalmente homens acima de 60 anos

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abre consulta pública para incorporação de diversas tecnologias que auxiliam no tratamento de doenças graves, como tumores hematológicos. Uma delas é para o mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta a medula óssea e pode causar anemia, problema renal, lesão nos ossos e aumento nos casos de infecções. Mais comum em pessoas com idade superior a 60 anos, seus sinais podem ser confundidos com questões inerentes ao envelhecimento, retardando o diagnóstico. O acesso as terapias modernas é de suma importância para evitar a progressão desse tipo de câncer.

Consulta Pública

Participar da consulta pública da ANS é exercer voz ativa sobre temas relevantes, cujos impactos são capazes de mudar a vida de milhões de brasileiros. Neste processo, a Agência busca ouvir a sociedade, de maneira aberta e colaborativa, para reunir subsídios que baseiem a tomada de decisões para a incorporação ou não de novas tecnologias. Por isso, é importante que sociedade civil e setores especializados da sociedade unam-se em prol da vida dos pacientes.

“A participação da sociedade, sejam profissionais da saúde, pacientes ou cuidadores, por exemplo, em temas de interesse público como esse é capaz de transformar a vida de pessoas que esperam por formas de tratamento reconhecidamente mais assertivas e que contribuem para um melhor prognóstico do mieloma múltiplo”, afirma Christine Battistini, fundadora do International Myeloma Foundation Latin America.

“O enfrentamento do câncer, depende de diversos fatores entre eles a incorporação de tecnologias e medicamentos, que são capazes de impactar na qualidade de vida dos pacientes , nos desfechos dos tratamentos e na sobrevida das pessoas.Quanto mais opções estiverem disponíveis,melhores serão as chances de sucesso . Por isso, a participação de todos os interessados no tema é crucial”, reforça Merula Steagall, presidente da ABRALE

A participação na consulta pública pode ser feita até 21/11. Para contribuir, clique aqui .

Diagnóstico do Mieloma Múltiplo

Atualmente, os meios de prevenção do mieloma múltiplo ainda não são conhecidos, bem como suas causas. Contudo, sabe-se que, além da idade, histórico familiar, exposição à radiação e a produtos químicos, como amianto e pesticidas, também são fatores de risco. O diagnóstico é feito pelo hematologista ou oncologista, por meio de testes clínicos, sanguíneos, de urina e biópsia da medula2. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são usados para identificar se o câncer compromete outras regiões do corpo. Estima-se que cerca de 95% dos casos são diagnosticados em fases avançadas da doença. Nesse quadro avançado, a taxa de sobrevida de cinco anos é de 51%, enquanto esse percentual pode chegar a 74% quando identificado em estágio inicial5.

Tratamento

Ao receber o diagnóstico para mieloma múltiplo, é hora de conversar com o médico especialista para compreender as alternativas terapêuticas disponíveis para o caso. Cada paciente é único, por isso é importante que a análise seja feita baseando-se no histórico e nas particularidades do quadro. Ambos, médico e paciente, devem considerar os benefícios do tratamento, riscos e possíveis eventos adversos.

Terapia medicamentosa engloba: quimioterapia, que interrompe a capacidade de crescimento e divisão de células cancerígenas; terapia alvo, cujo objetivo é atingir genes, proteínas ou tecido do câncer; corticoides, que em geral são usados de forma combinada com outros medicamentos; inibidores de proteassoma que facilitam a morte das células tumorais; e imunomoduladores, que auxiliam o sistema imunológico no combate à doença. A classe de imunomoduladores constitui a base de tratamentos do mieloma múltiplo.

O transplante autólogo de células tronco hematopoéticas também pode ser usado nesses pacientes6. O avanço da ciência permite que esses pacientes ganhem em expectativa e qualidade de vida.

Vale ressaltar que o acompanhamento deve ser multidisciplinar, o que alivia o impacto emocional e físico do mieloma múltiplo. Atividades físicas regulares, dieta saudável, suplementação vitamínica e cuidado com o sono são meios de melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes oncológicos2.

“O mieloma múltiplo é uma doença com significativa incidência entre as neoplasias malignas hematológicas, representando cerca de 10% dos casos. Conhecer os sintomas e ter acesso ao diagnóstico e às alternativas terapêuticas mais adequadas ao caso são fundamentais para a melhor resposta à terapia, assim como para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Nesse sentido, ter disponível terapias mais modernas é igualmente importante”, conclui a Dra. Vania Hungria, Hematologista e Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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