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Saúde para as classes C, D e E, pandemia, desemprego e os meses rosa e azul

Por Juliana Freitas*

Uma pesquisa realizada ainda em 2018 pelo SPC Brasil e a CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), com 1500 moradores das capitais, levantou dados sobre como as classes sociais estão lidando com seus gastos em saúde. 77% das classes C, D e E não possuem convênio médico particular, 45% desses quando precisam de atendimento médico vão ao SUS e outros 25% pagam pelos serviços necessários naquele momento.

A média de mensalidade paga, levantada pelo estudo, foi de R$439,54, aumentando esse valor para pessoas acima de 55 anos. Com medicamentos a média foi de R$138,32 por mês e R$194,97 para pessoas acima de 55 anos. 69,9% dos consumidores das classes C, D e E preferem os remédios genéricos.

80% da população brasileira não possui reserva financeira para qualquer imprevisto. E naquela época 28,5% das classes C, D e E tiveram seu nome incluído em registros de serviços de proteção ao crédito por despesas relacionadas à saúde, o motivo da dívida mais citado foi a perda do emprego.

Hoje, em 2020, a pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe graves consequências em diversas áreas da saúde e estima-se que apenas em 2021 teremos a noção de sua proporção.

Isso porque logo nos primeiros quatro meses de pandemia no país, cerca de 327 mil pessoas perderam o convênio médico de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A perda significativa se deu pelo aumento do desemprego, que já chega a 13 milhões de brasileiros.

Além de dados do levantamento realizado em parceria da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica) e da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia), mostrando que cerca de 50 mil novos casos de câncer deixaram de ser diagnosticados entre março e maio deste ano. E a estimativa é que este número já possa ter chegado a 150 mil.

Até maio deste ano os números de novos casos de câncer, de acordo com o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer, foram entre de 66.280 (29,7%) de mama entre as mulheres e 65.840 (29,2%) em próstatas entre os homens.

As classes C, D e E costumam ser as mais afetadas nos momentos de crises. E a saúde passa a ficar em segundo ou até terceiro plano, porque seus esforços se voltam a manter a casa e uma alimentação digna. Discutir formas e alternativas que possam diminuir esse impacto, proporcionando outros tipos de acessos aos serviços médicos, atendimento, exames, medicamento, tem que estar na pauta não só do poder público, mas da sociedade privada em geral.

*Juliana Freitas – Fundadora da Fortbrasil e Vai Bem – Administradora de Empresas formada pela UFC, com MBA em Pittsburgh e Navarra, Empreendedora Endeavor, atua na condução de empresas de alto crescimento, com foco em estratégia, risco e tecnologia.

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