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Com nova onda de Covid-19, Atenção Primária à Saúde e telemedicina podem desafogar serviços de emergência

Com o recente aumento do número de casos confirmados e internações por Covid-19, a Atenção Primária à Saúde (APS) se mostra uma alternativa viável para desafogar os serviços de urgência e emergência. A APS tem o médico de família como figura central e permite que o paciente seja avaliado de forma integral antes de ser encaminhado para um especialista. Esse profissional tem uma formação específica para lidar as queixas mais comuns apresentadas pelos pacientes.

Em média, 80% dos problemas podem ser solucionados sem a necessidade da consulta com um especialista. “A APS é uma porta de entrada para o sistema de saúde e deveria ser o primeiro contato do paciente, independentemente da queixa que ele apresenta. Se necessário, fazemos um encaminhamento para outro profissional”, explica o Dr. Cauí Oliveira, médico de família da Amparo Saúde.

Segundo Oliveira, países como Canadá, Inglaterra, França, Portugal e Espanha organizam todo o seu sistema de saúde em torno da atenção primária. “Esses países são referência em APS e disponibilizam uma extensa literatura médica que comprova a capacidade de resolver os problemas dos pacientes”.

Como se sabe, o coronavírus tem alta transmissibilidade e os pronto-socorros quase sempre são lugares de aglomeração, uma das maiores causas de transmissão do vírus. A proporção de casos suspeitos e casos confirmados também obedece a uma curva que depende da capacidade da população de aderir às medidas protetivas. Neste cenário, a telemedicina também é uma aliada para a segurança do paciente e da equipe de saúde. Se o paciente não tiver uma condição que demande um atendimento presencial específico, é possível acompanhar toda a evolução do quadro de casa.

Há fluxos diferentes para o cuidado de pacientes com quadros leves e de pessoas que apresentam quadros respiratórios sintomáticos, que podem necessitar de cuidado presencial. A APS, portanto, pode orientar os indivíduos com maior risco de desenvolver quadros graves e garantir o encaminhamento apenas daqueles que necessitam de cuidados de outros níveis de atenção.

“Da suspeita do diagnóstico até a alta do quadro de Covid, muitas vezes a pessoa consegue ser tratada em casa”, ressalta o médico de família. “Com a telemedicina, conseguimos fazer o monitoramento do paciente a cada 48 ou 72 horas, percebendo se há melhora ou piora do quadro clínico. Se for preciso, consigo até mesmo avaliar o paciente durante todos os dias da doença”.

Caso seja necessário, o médico prescreve as medicações adequadas, encaminha o paciente para a realização de exames ou para um hospital. A testagem, em muitos casos, pode ser feita por meio de atendimento domiciliar, evitando a transmissão em cadeia e a exposição a locais com grande quantidade de pessoas, como o transporte público.

Há ainda os casos em que a suspeita de Covid-19 pode ser descartada com a atenção primária, e se confirmar outro tipo de infecção de vias aéreas superiores, comumente confundida pela população com os sintomas do novo coronavírus. Este mês, em um intervalo de uma semana, a Amparo viu o número de confirmações de casos de Covid-19 aumentar em 35%. E, nas últimas três semanas, aproximadamente 75% dos pacientes que se consultaram na healthtech com suspeita de Covid-19 tiveram o diagnóstico descartado. Se a pessoa preferir o atendimento presencial, também é possível ir até uma unidade física da Amparo Saúde fugindo das aglomerações. Devido a grande adesão à telemedicina, as clínicas da Amparo tem trabalhado com um número reduzido de pacientes atendidos presencialmente, sobretudo quando comparadas com o pronto-socorro de hospitais.

Outro ponto levantado pelo médico e que, após a passagem pelo pronto-socorro, não há garantia de que a pessoa vá evoluir bem ou apresentar estabilidade. Assim, algumas medicações acabam sendo prescritas por prevenção, sem necessidade. “A dependência exclusiva de serviço de urgência e emergência favorece a hipermedicalização”. Pela própria forma de organização da Atenção Primária, a tranquilidade do paciente em poder ser acompanhado diariamente também é um benefício. “Por si só, o acolhimento e a atenção podem ser terapêuticos”, finaliza o especialista.

Fundada em 2017, a Amparo Saúde tem a APS e o médico de família como pilares de um cuidado mais eficiente e mais acessível. Os mais de 1,5 milhão de pacientes atendidos pela healthtech têm acesso direto via WhatsApp a uma equipe de atendimento 24 horas e podem também usar uma plataforma de telessaúde para fazer consultas online. “Queremos cuidar da população e educar sobre a importância da APS. Nossa visão é que ter acesso a um cuidado mais humano, resolutivo e acessível não deveria ser um privilégio”, ressalta Emilio Puschmann, CEO da Amparo Saúde.

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