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Dados apontam que saúde dos idosos fica ainda mais comprometida durante a pandemia da Covid-19

Diminuição do uso de medicamentos para doenças crônicas, sedentarismo e sobrepeso, além de solidão atingem a população com mais de 60 anos, segundo estudo realizado pela Laços Saúde

A pandemia do novo coronavírus afetou diversos setores da sociedade em âmbito mundial, em especial, a população idosa. No Brasil o número de idosos, pessoas com mais de 60 anos de idade, passou de 3 milhões em 1960, para 7 milhões em 1975 e chegou a 14 milhões em 2002 – portanto houve um aumento de 500% em quarenta anos. O impacto da pandemia trouxe consequências que atingiram em cheio essa parcela da população: conduziu ao isolamento social levando ao afastamento de suas famílias, sentimento de abandono, a falta de acesso aos tratamentos de doenças crônicas e atendimento emergenciais. Aliada a tudo isso, a desinformação ou informações contraditórias sobre o desenrolar da pandemia também tiveram impacto negativo.

Martha Oliveira, médica e diretora-executiva da Laços Saúde, empresa de saúde que lançou no Brasil a metodologia holandesa Buurtzorg, já presente em 25 países, reuniu dados inéditos sobre o tratamento de idosos neste período. Por meio da coleta de dados e informações de bases de uso farmacêutico da ePharma, comparados com dados já publicados e demais informações sobre essa população, ela utilizou dados do VIGITEL 2019 e de outras pesquisas para o estudo.

“Alguns dos aspectos sobre os efeitos ‘invisíveis’ da pandemia já vêm sendo levantados em estudos nacionais e internacionais. Entre os quais, o impacto na saúde mental, o agravamento das doenças crônicas e seus desfechos como infarto agudo do miocárdio e câncer, e o represamento do tratamento de diversas doenças neste período de quarentena“, ressalta a especialista.

Confira a pesquisa na íntegra.

Sobre a utilização de medicamentos na pandemia:

Segundo estudo realizado em 2003, a prevalência de uso de medicamentos por idosos no Brasil, foi de 83%, sendo de 87,3% no grupo de 70 anos ou mais, e de 78,8% no de 60-69 anos (p < 0,05).

SILVA, Anderson Lourenço da et al . Utilização de medicamentos por idosos brasileiros, de acordo com a faixa etária: um inquérito postal. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 28, n. 6, p. 1033-1045, June 2012 .

Esse dado demonstra a grande relevância do controle e da avaliação do uso de medicamentos nessa população.

Segundo dados da pesquisa do Conselho Federal de Farmácia – CFF/Iqvia – realizada entre janeiro e julho de 2020 – houve um aumento de cerca de 13,84% no uso de antidepressivos e de estabilizadores de humor, na população em geral nesse período.

Ao mesmo tempo que vemos a relevância da discussão sobre saúde mental nesse período, iniciaram-se debates sobre a continuidade do tratamento das doenças crônicas e seu controle durante a pandemia.

Por isso, em parceria com a ePharma, comparamos a utilização de medicamentos, separando os grupos de idade (maiores e menores de 60 anos) em 2019 e em 2020, observando-se a mesma população exposta.

Os dados encontrados estão na tabela abaixo:

O dado nos chama muita atenção e também preocupação uma vez que vemos a redução na utilização de medicamentos de uso crônico (hipertensão arterial e diabetes) no período, o que pode fazer com que haja agravamento dessas doenças.

DADOS DA OMS:

Após levantamento feito em 155 países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que, em mais da metade deles, 53%, o tratamento para a pressão alta foi afetado durante a pandemia da covid-19, e que emergências cardiovasculares ficaram sem atendimento em 31% das nações. A investigação também mostrou que houve prejuízos no tratamento de diabetes em 49% dos países, e no de cânceres, em 42%.

Dados da OMS corroboram nosso achado.

Sobre atividade física e sobrepeso:

Da mesma forma que a pandemia afetou a saúde mental e o controle e diagnóstico de doenças crônicas, algo semelhante poderia estar acontecendo com relação a atividade física e alimentação. Os dados publicados no VIGITEL 2020 já traziam preocupação mesmo antes da quarentena. Nosso objetivo aqui foi identificar nos pacientes acompanhados pela Laços Saúde em idosos de uma operadora no RJ se essa situação havia se agravado ou não.

O VIGITEL 2019 traz os seguintes dados:

MAIORES DE 65 ANOS

PESO

59,8% SOBREPESO

20,9% OBESIDADE

ATIVIDADE FÍSICA

24,4% SUFICIENTE

69,1% INSUFICIENTE

31,8% INATIVOS

TEMPO TV E CEL

45,7%

AVAL. NEG. SAUDE

7,5%

DIAG. HAS

59,3%

TTO HAS

95,6%

DIAG DM

23%

TTO DM

92,3%

Uma pesquisa da UFMG durante a pandemia, apesar de não identificar a faixa etária, demonstrou:

Malta, Deborah Carvalho et al. A pandemia da COVID-19 e as mudanças no estilo de vida dos brasileiros adultos: um estudo transversal, 2020. Epidemiologia e Serviços de Saúde [online]. v. 29, n. 4 [Acessado 16 outubro 2020], e2020407. Disponível em: . ISSN 2237-9622. https://doi.org/10.1590/S1679-49742020000400026 .

ANTES PANDEMIA

POS PANDEMIA

ATIVIDADE FÍSICA SUFICIENTE

30,4%

14,2%

ANTES PANDEMIA

PÓS PANDEMIA

TEMPO TV E CEL

2,85 HORAS

3,65 HORAS

PESQUISA PACIENTES LAÇOS/ CAPESESP:

VARIÁVEL

PESO

Aumento peso em 50% dos idosos entrevistados

ATIVIDADE FÍSICA

Pós PANDEMIA

Diminuição atividade física em 87% idosos entrevistados

TEMPO TV E CEL

Aumento do tempo de TV em 62% dos idosos entrevistados

AVAL. NEG. SAÚDE

Relato de piora do estado de saúde em 25% dos idosos entrevistados

CONCLUSÃO:

Ultimamente, muito tem se falado sobre uma possível “sindemia”. Porém, o termo sindemia – um neologismo que combina sinergia e pandemia – não é tão novo assim.

Foi cunhado pelo antropólogo e médico Merril Singer na década de 1990 para explicar uma situação em que “duas ou mais doenças interagem de tal forma que causam danos maiores do que a mera soma dessas duas doenças”.

“O impacto dessa interação também é facilitado pelas condições sociais e ambientais que de alguma forma aproximam essas duas doenças ou tornam a população mais vulnerável ao seu impacto”, explica Singer em entrevista a BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

No caso da COVID-19, “vemos como ela interage com uma variedade de condições pré-existentes (diabetes, câncer, problemas cardíacos e muitos outros fatores) e vemos uma taxa desproporcional de resultados adversos em comunidades desfavorecidas, de baixa rende e de minorias étnicas”, explica Singer.

Como iremos então denominar as consequências dessa sindemia nos dados que apontam para diminuição de continuidade de tratamento farmacológico, diminuição de exercício, agravamento da solidão e queda da cognição…, será que evidenciaremos um novo termo para dimensionar o que estamos por viver?

Será exagero pensarmos numa SÍNDROME PÓS SINDEMIA?

Com os serviços que a Laços Saúde oferece, por ser uma empresa especializada em cuidados, liderados por profissionais de saúde e tendo como base o modelo holandês Buurtzorg, é possível minimizar esses efeitos na saúde dos idosos e estimular mais ações de atenção à essa população. Focando na atuação no controle de doenças crônicas e seus agravos e na melhoria da qualidade de vida através da independência e interação social.

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