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Dezembro Laranja: a luta contra o câncer de pele e a importância da prevenção

Nas idas à praia e à piscina que o verão propicia, é preciso se prevenir contra o câncer de pele. Esse tipo de câncer é o mais comum no Brasil e ocorre por causa do excesso de exposição à radiação ultravioleta do sol. Alertar para esse risco é o objetivo da campanha Dezembro Laranja. A CAASP convidou a bancária Maria José Tonin, 55 anos, duas vezes acometida de câncer de pele, para narrar sua experiência à advocacia. “Espero que minhas palavras ajudem a conscientizar advogados, advogadas e familiares para a importância dos hábitos preventivos e do diagnóstico rápido e preciso”, declara.

A história de Maria José com o câncer de pele começa em 2012, da forma mais comum entre os que desenvolvem a doença: uma estranha pinta no lado direito da face. “Eu tinha algumas pintas no rosto, mas aquela era diferente das demais – tinha uma espécie de casquinha”, recorda. As pintas se tornam suspeitas quando apresentam assimetria, irregularidade na borda, coloração não uniforme, dimensão diferente de outras pintas, além de uma evolução de tamanho, cor e formato com o passar do tempo. O recomendado ao notar qualquer uma dessas características é procurar um médico. Foi o que fez Maria José, sendo diagnosticada com um carcinoma basocelular.

Existem vários tipos de câncer de pele. Os mais comuns são justamente os carcinomas basocelular e epidermoide. A expectativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) é de mais de 176 mil novos casos desse tipo de câncer de pele no Brasil em 2020, dos quais cerca de 83 mil devem atingir homens e 93 mil, mulheres. Apesar da alta incidência, esse é o tipo de tumor de menor gravidade. Os cânceres de pele menos frequentes, porém mais graves e que podem levar à morte, são os do tipo melanoma.

As populações de pele branca são as que têm mais chance de desenvolver câncer de pele , o que não significa que pessoas negras não possam ter a doença. Maria José Tonin é uma mulher branca e que possui histórico de câncer de pele na família. Quando mais jovem, ela assistiu à luta do pai contra a doença. O diagnóstico dela veio, primeiro, pelo exame clínico de um dermatologista. A prova de que se tratava de um tumor surgiu após a biópsia. Encaminhada a cirurgia, ela teve o tumor retirado com sucesso. A cirurgia é o tratamento mais indicado tanto nos casos de carcinoma basocelular quanto nos de carcinoma epidermoide. Eventualmente, pode-se associar a radioterapia à cirurgia.

Mas engana-se quem pensa que a história da bancária terminaria aí. Em 2014 ela apresentou nova lesão cancerígena. Desta vez, na ponta do nariz. “Essa eu diria que se parecia mais com uma espinha, mas por achar muito estranha voltei ao médico, que me deu um novo diagnóstico de carcinoma e me submeteu a uma nova cirurgia”, conta.

Quem olha para Maria José hoje não diz que ela passou por duas lutas contra o câncer de pele. “Felizmente pude contar com uma equipe médica de qualidade. Mas melhor seria se tivesse evitado”, destaca.

Cuidados com o sol

Olhando para trás, Maria José Tonin observa que o desenvolvimento do câncer deve-se também a uma imprudência quando mais jovem. “Eu tomava muito sol, e muitas vezes sem qualquer filtro solar. Colhi o que semeei”, diz.

De fato, a ciência mostra que, depois da predisposição genética e da cor da pele, alguns hábitos são determinantes, como usar ou não o protetor e a quantidade de banhos de sol tomados desde a infância. Fontes de energia e vitaminas indispensáveis ao organismo, como a vitamina D, os raios solares devem atingir o corpo humano de modo balanceado. Isso porque existem três tipos de raio na estratosfera que atingem a pele: o ultravioleta A, o ultravioleta B e o ultravioleta C. O raio que mais responde pelo câncer de pele é o UVB, mais incidente das 10h às 15h. Por essa razão recomenda-se às pessoas que tomem sol antes ou depois dessa faixa de horário.

Apesar dessa maior probabilidade dos raios UVB serem os responsáveis pelos casos de câncer de pele, vale destacar que os raios UVA e o UVC têm ação constante sobre a pele ao longo do dia e, por isso, no longo prazo também podem levar ao desenvolvimento da doença. Medidas de exposição adequada podem ser potencializadas pelo uso diário de acessórios como óculos de sol e roupas com proteção UV, além do uso ininterrupto do filtro solar, mesmo em dias nublados.

É graças a esses hábitos que Maria José, de natureza propensa à doença, nunca mais desenvolveu um câncer de pele. “No caso do filtro solar, eu uso o fator 50, sete dias por semana, 24 horas por dia. Mas mesmo com o filtro procuro evitar os horários de pico do sol”, afirma.

Recomenda-se o uso de filtro solar com fator de proteção mínimo de 30. Lembre-se ainda ser necessário retocar a camada protetora ao longo do dia, em especial em casos de alta transpiração.

“Eu aprendi a lição. Curtir um dia de sol é legal; ter um corpo bronzeado é bonito. Mas é preciso fazer isso com cuidado, proteção e equilíbrio”, aconselha Maria José.

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