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Vilão da saúde feminina, o câncer de colo de útero pode ter chance de cura de até 90%

A doença deve atingir mais de 16 mil mulheres até o final desse ano. A boa notícia é que o tumor pode ser facilmente detectado em exames de rotina e, se encontrado em fase inicial, pode garantir o sucesso da delicada jornada de tratamento das pacientes

A apresentadora da TV Globo, Fátima Bernardes usou suas redes sociais para anunciar aos seus seguidores que foi diagnosticada com câncer de colo útero. Na publicação, a jornalista de 58 anos informou que a doença foi detectada em fase inicial e nos próximos dias será submetida à uma cirurgia para retirada do tumor, encontrado durante check ups de rotina.

O caso de Fátima se soma aos outros milhares de novos casos registrados todos os anos no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de colo de útero é o quarto mais comum entre as mulheres no país e a estimativa é que até o final de 2020 cerca de 16 mil novos pacientes recebam diagnóstico da doença. Uma realidade que aponta para um alerta “não abrir mão da rotina de atenção preventiva com a saúde”, orienta o médico ginecologista e obstetra do Grupo Sabin, Dr Fernando Boldrin Soares.

O especialista destaca como exames colpocitológicos, exames de imagem e vacinas contra o HPV são aliados da mulher e devem fazer parte dos cuidados com a saúde. “Eles ajudam a diagnosticar tumores e doenças ainda em estágios iniciais. Assim a delicada jornada de tratamento dos pacientes é menos difícil e a experiência mais positiva, já que se diagnosticado de precocemente, a maioria dos tumores ginecológicos são curáveis”, esclarece.

O médico explica ainda que é fundamental estar atento aos fatores que aumentam a exposição aos riscos da doença. “O fator de risco para câncer de colo uterino indiscutível é a infecção por HPV. A principal prevenção primária seria uso de camisinha e vacinação para HPV. Em um segundo plano, a prevenção seria os exames de colpocitologia oncológica (papanicolau) e colposcopia, associados ou não à captura híbrida para detecção de material genético do HPV e subsequente estimativa do subtipo de HPV (alguns subtipos são piores do que outros). O que precisamos deixar muito claro é que esses são considerados pela medicina os principais fatores de risco, mas a doença é silenciosa e por isso, nunca é demais lembrar: não deixe de lado os cuidados preventivos. Muitos casos são detectados em exames de rotina. No Papanicolau, por exemplo, é possível descobrir alterações antes de virarem câncer. No caso de tumor, também é possível detectar o grau de evolução da doença e iniciar o tratamento mais adequado e eficaz”, conclui.

Cenário global da doença:

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo, há mais de 570.000 novos casos da doença, que todos os anos causa a morte de mais de 311.000 mulheres. Em 62,7% dos casos, a doença acomete mulheres não brancas e com baixo grau de escolaridade.

Para acender o alerta à importância de conter o avanço de caso no mundo, a OMS lançou o programa “Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, como um Problema de Saúde Pública”. Estruturado sob três pilares, a iniciativa prevê que 90% das meninas com até 15 anos de idade, recebam a vacina contra o papilomavírus humano e que 70% das mulheres façam o exame de rastreamento com teste efetivo até os 35 anos e um novo exame até os 45 anos. Outro pilar atua para que 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam tratamento imediato na rede pública de saúde. São medidas que podem reduzir em um terço o índice mortalidade feminina pela doença, segundo a entidade.

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