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Janeiro Branco: saúde mental em foco no início de 2021

Campanha chama a atenção para conscientização sobre a importância do adoecimento emocional

O início do ano marca a divulgação da campanha Janeiro Branco, que tem como objetivo chamar a atenção para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas. Em um momento no qual a pandemia de Covid-19 está prestes a completar um ano de duração no Brasil, o incentivo ao cuidado mental se mostra cada vez mais necessário, seja entre os pacientes, seja entre seus familiares.

De acordo com Rodrigo Lancelote Alberto, médico psiquiatra e diretor técnico do CAISM-FR (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha), gerenciado pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM) em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a fase mais recente da pandemia tem gerado sentimentos de desgaste e desesperança, que levam as pessoas a procurarem por atendimento psiquiátrico ou psicológico na rede pública de saúde.

“O tempo decorrido desde o início da pandemia e do isolamento é grande, especialmente se consideramos as diversas modificações de hábitos que foram impostas de maneira abrupta às pessoas. Houve um rompimento das rotinas, um medo crescente e constante diante das notícias com os números de mortos e infectados, além dos impactos financeiros/sociais e da redução das práticas esportivas e de lazer por conta do isolamento”, explica o especialista.

Nesse sentido, um dos objetivos da campanha Janeiro Branco é estimular a manutenção dos tratamentos daqueles que já os faziam antes da pandemia, e que, por algum motivo, reduziram as consultas e o acompanhamento, e também incentivar que novos pacientes procurem por auxílio profissional para tratar possíveis desordens mentais e emocionais.

“O tratamento psiquiátrico, basicamente, tem algumas fases: aguda, continuidade e manutenção. Ou seja, é necessário um seguimento de consultas para ajustes e avaliações clínicas com o objetivo de atingir a cura ou, pelo menos, o maior alívio do sofrimento e melhora da qualidade de vida possível”, afirma o médico, ressaltando os possíveis prejuízos causados a quem interrompe os tratamentos de forma abrupta.

“Vale lembrar que nenhum tratamento deve ser interrompido por conta própria, independente da doença que se busque curar ou acompanhar. Interromper de forma abrupta ou antecipada o tratamento psiquiátrico ou psicológico pode trazer prejuízos como, por exemplo, os efeitos físicos e psíquicos da retirada de alguns tipos de medicamentos, assim como o retorno precoce dos sintomas. Isso facilita e intensifica uma possível recaída e/ou uma recorrência da doença”, completa.

Ajuda familiar e tratamento

O apoio familiar para quem manifesta sintomas de desordem mental ou emocional é essencial, seja na pandemia ou fora dela. Alberto ressalta que, no dia a dia, familiares e amigos podem reconhecer os sintomas, quando a pessoa apresentar características como ansiedade, tristeza e falta de motivação sem qualquer motivo aparente ou de forma mais intensa e duradoura do que seria comum.

“A função da família e pessoas próximas é fundamental, pois, em muitos casos, o esforço contínuo e desmedido da pessoa em manter sua rotina é tão grande que não se percebe ou então não se observa a privação e os prejuízos que ela sofre em sua qualidade de vida. Ou seja, através de um esforço muito intenso, o paciente tende a esconder, de si e dos outros, os problemas mentais e emocionais que possa estar enfrentando, retardando a busca por tratamento”, explica o médico.

O tratamento de transtornos psiquiátricos requer a adoção, em conjunto, de medicamentos e terapia. A individualização do tratamento faz com que o objetivo possa ser alcançado de forma mais rápida, eficaz, adequada e consistente.

“Portanto, jamais o paciente deve se automedicar ou tomar remédios de conhecidos ou familiares. Além disso, a terapia sempre deve ser realizada com profissional habilitado, pois vai muito além de uma simples conversa ou bate-papo. Por fim, e não menos importante, cada pessoa necessita manter as rotinas, alimentação saudável e reservar tempo para atividades de lazer e atividades físicas. Deve-se, ainda, evitar excessos de informações neste momento, reservar horas de sono suficientes e não consumir drogas”, complementa.

Janeiro Branco

A campanha é realizada no primeiro mês do ano porque é nesse período que as pessoas, em termos simbólicos e culturais, procuram pensar e avaliar suas vidas, suas emoções e suas relações sociais.

A ideia da cor da campanha é promover o entendimento de que, como uma folha ou uma tela em branco, todos podem ser inspirados a (re) escreverem suas próprias histórias. E que, nesse sentido, o auxílio psiquiátrico e psicológico pode ser fundamental para enfrentar desordens de ordem emocional ou psíquicas.

Além de conscientizar, a campanha busca combater tabus e mudar paradigmas sobre a saúde mental, promovendo palestras, oficinas, cursos, materiais de divulgação e abordagem de pessoas em espaços públicos. Em 2021, por conta da pandemia de Covid-19, a ação tem priorizado espaços abertos e formatos online.

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