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Propensão ao alcoolismo pode ser medida pelo DNA

Testes de genômica pessoal analisam uma única amostra de saliva e diz o nível de vulnerabilidade à doença de acordo com a genética de cada um

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool, representando 5,3% de todas as mortes. Uma publicação feita pela Faculdade de Medicina UFMG em maio de 2020, no começo da pandemia atrelada ao novo coronavírus, sinalizou para o aumento do consumo de álcool durante o período de isolamento social. Essa mesma questão foi levantada pela Agência Brasil no começo da quarentena. Todas as instituições fizeram um alerta para aqueles que possuem uma tendência ao alcoolismo e todas as causas e consequências da doença, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o que define uma pessoa ser propensa ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas?

Um dentre os vários fatores que podem ser apontados como resposta para essa pergunta é a genética.”Os fatores ambientais que podem aumentar o risco para essa condição incluem o ambiente familiar, influência de amigos, contexto cultural, distúrbios psicológicos e consumo precoce da bebida. Já os genes relacionados com a dependência alcoólica geralmente estão envolvidos em processos bioquímicos que ocorrem no cérebro ou associados à capacidade do fígado de processar o etanol”, explica Ricardo di Lazarro Filho, médico e sócio-fundador da Genera, o primeiro laboratório brasileiro especializado em testes de genômica pessoal, que possibilitam a análise do gene FAAH.

O gene FAAH codifica uma enzima responsável por degradar a anandamida, um neurotransmissor que gera felicidade. A variante deste neurotransmissor é que está associada ao risco de cada pessoa à dependência do álcool e sua análise é feita a partir de uma única amostra de DNA da pessoa que pode ser coletada pela saliva.

Os testes de genômica pessoal, que apontam a propensão de cada um à doença, podem ser um forte aliado no combate ao alcoolismo. “Tendo uma noção da sua propensão ao vício, você consegue estabelecer um limite mais significativo de até onde você pode ir quando se trata de ingestão do álcool. Mas, mesmo tendo um gene controlado, devemos sempre estar atentos quanto à ingestão de bebidas alcoólicas. O alcoolismo é uma doença que afeta primeiramente nosso autocontrole, o psicológico. Perdemos a noção do quão abaixo a doença já pode ter nos levado. Estar em alerta e o consumo com moderação e consciência são peças básicas que devem estar presente no nosso dia a dia”, conclui Ricardo.

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