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Fadiga pode acometer 90% dos pacientes com câncer

Como minimizar sintomas e quais as propostas terapêuticas disponíveis

O câncer é considerado uma doença crônica. Como propostas de tratamento existem as opções: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia. Um dos sintomas mais prevalentes relacionados ao tratamento quimioterapêutico e radioterapêutico é a fadiga relacionada ao câncer (FRC). Isso ocorre porque as terapias causam efeitos no metabolismo energético muscular, que predispõem à redução na capacidade de gerar força muscular. Outras causas também podem estar relacionadas à ocorrência da fadiga, como alterações da qualidade do sono, estresse e necessidade de períodos de internação hospitalar.

“A fadiga é definida e relatada pelos pacientes como um cansaço extremo ou sensação de exaustão, que impacta nas atividades cotidianas e na qualidade de vida. Os pacientes podem referir diminuição da energia e capacidade de realizar atividades físicas, além de efeitos emocionais, como redução da autoestima e autocuidado, diminuição da concentração e memória” afirma Laís Fonseca, fisioterapeuta e coordenadora assistencial da equipe multidisciplinar do IBCC Oncologia.

A FRC é reportada por até 90% das pessoas que são submetidas ao tratamento do câncer, ainda segundo a fisioterapeuta. Porém, é possível realizar abordagens interdisciplinares que auxiliam a controlar estes sintomas e evitar o impacto na qualidade de vida. Tais recursos podem ser farmacológicos ou não farmacológicos e ocorrem de acordo com a indicação do profissional médico responsável pelo tratamento.

         As abordagens não – farmacológicas são feitas pelos profissionais:

  • Fisioterapeuta: propõe exercícios terapêuticos que podem ser ativos livres (o paciente realiza sem ajuda), ativos assistidos (o paciente realiza com auxílio do terapeuta) ou ativos resistidos (é aplicada resistência para incrementar a força muscular), além de exercícios respiratórios, de equilíbrio e coordenação.  Os programas de exercícios são definidos individualmente, respeitando as condições clínicas e físicas de cada paciente. A frequência de realização também é um ponto definido pelo profissional.
  • Terapeuta Ocupacional: Tem como objetivo orientar e adaptar as atividades de vida diária, o que é feito através da organização da rotina de vida e atividades como alimentação, higiene, exercício profissional. Pode sugerir o uso de instrumentos que auxiliam as tarefas, como uso órteses e materiais de adaptações, além de  propor técnicas de conservação de energia e intervalos entre as atividades, para evitar a fadiga.
  • Psicólogo: A avaliação psicológica identifica o impacto emocional do adoecimento, tratamento e fadiga na vida do paciente e no seu meio familiar e social. A intervenção propõe abordagens que auxiliam o enfrentamento às mudanças da vida e expectativas, como também o manejo do estresse e ansiedade.
  • Nutricionista: O acompanhamento nutricional é fundamental para orientação da alimentação adequada para prevenir ou tratar a fadiga. A anemia é um dos sintomas presentes no paciente oncológico que necessita de atenção, assim como a desidratação e desnutrição, que podem contribuir para o desenvolvimento e piora da fadiga. 

“A adesão às propostas terapêuticas da equipe multidisciplinar é fundamental para o manejo adequado da fadiga e a redução do seu impacto na qualidade de vida e do tratamento do câncer”, complementa Laís Fonseca.

Durante o período de pandemia, há a dificuldade no comparecimento aos serviços de saúde, porém algumas adaptações podem ser realizadas, como os atendimentos virtuais e vídeos de orientação. O importante é se manter ativo na medida adequada, ter atenção à saúde física e mental, e, dessa forma, vencer o tratamento amenizando os impactos da fadiga no cotidiano.

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