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Fadiga, dores de cabeça e déficit de atenção estão entre as sequelas de maior incidência da “COVID longa”

De acordo com neurologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, quando não monitoradas de maneira adequada, as complicações pós-COVID podem se agravar e levar a sequelas duradouras. Pacientes com comorbidades neurológicas correm mais risco, com potencialização dos sintomas causada pelo vírus.

Conforme o cenário pandêmico progride, surgem cada vez mais relatos acerca da incidência de diferentes sequelas pós-COVID, com destaque para as manifestações neurológicas, que estão entre as mais frequentes. Um levantamento conduzido por universidades do México, Suécia e EUA identificou que entre as 55 repercussões da chamada “COVID longa”, as dores de cabeça, dificuldade em manter a atenção e fadiga estão entre as três principais. Já uma matéria publicada pela revista científica The Lancet Psychiatry demonstrou que, após serem curados, 34% daqueles infectados pelo SARS-COV-2 desenvolvem problemas neuropsiquiátricos. Esta não é a única associação entre a infecção causada pelo coronavírus e o cérebro. Dados da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte mostram que, no caso de pacientes que já possuem determinadas comorbidades neurológicas, as repercussões causadas pelo vírus podem se apresentar de maneira acentuada. Por isso, aqueles que já apresentam um diagnóstico confirmado associado a estas condições devem tomar cuidado redobrado em meio a pandemia.

Entre os sintomas neuropsiquiátricos que podem persistir em pacientes já curados da COVID-19 estão as dores de cabeça (cefaléia), déficit de atenção, perda de memória, ansiedade, depressão, fadiga, dor muscular e a perda do paladar e olfato. Não se sabe a origem específica destas sequelas, porém uma das possíveis explicações, ainda sob análise, é que este fenômeno está associado a uma resposta inflamatória sistêmica, que é desencadeada com o objetivo de combater as agressões provocadas pelo coronavírus no organismo. O neurologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Maurício Hoshino, aponta que o cérebro está entre os órgãos mais sensíveis diante da COVID-19 e, por isso, o monitoramento do processo de reabilitação neurológica pós-COVID é essencial. “Além destas sequelas serem frequentes, elas são mais difíceis de reparar do que outras, visto que as respostas aos diferentes tratamentos são incertas. Mesmo assim, ainda não se sabe por que estas repercussões apresentam dificuldade elevada na reabilitação”, adiciona o especialista.

Vale notar que o surgimento destas manifestações é menos frequente entre pacientes que tiveram quadros leves ou assintomáticos, porém mesmo este grupo de pessoas também está suscetível às repercussões citadas. Em casos graves, a infecção pelo coronavírus pode levar a incidência de convulsões e, até mesmo, um acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC. Não existe uma média definitiva para a permanência dos sintomas neurológicos causados, porém um estudo publicado no jornal médico Jama Network identificou que estes problemas podem persistir por até nove meses. “Sabemos que não são sintomas que podem ser rapidamente revertidos e não temos um período fixo de duração associado ao quadro. Alguns permanecem com estas sequelas por três, seis, ou até mais meses. Por isso, não podemos dizer se estes quadros são irreversíveis”, completa.

Se não monitoradas com antecedência, os casos podem se agravar e levar a sequelas duradouras. Mesmo assim, o especialista destaca que, devido ao modo que o vírus se manifesta no sistema neurológico, os tratamentos disponíveis nem sempre têm a eficácia esperada. “Os tratamentos são específicos e sintomáticos, ou seja, irão variar de acordo com a função comprometida. Se um indivíduo apresenta certa fraqueza e fadiga, a reabilitação vai girar em torno de exercícios musculares e a utilização de analgésicos. Contudo, sabemos que a resposta será parcial e lenta”, completa o Dr. Hoshino. O neurologista reforça que, devido à incerteza relacionada à resposta do organismo, ainda não existe um tratamento padronizado para estas sequelas.

Outro dado preocupante é que não há medidas preventivas ou grupos de risco associados ao fenômeno. Entretanto, o especialista aponta que, para pacientes que já possuíam comorbidades neurológicas antes de serem acometidos pela COVID, os novos sintomas causados pela doença podem agravar o quadro já presente. “Para aqueles que já possuem uma cefaleia crônica, por exemplo, a infecção pelo coronavírus irá dificultar o controle do problema. Os sintomas acabam sendo muito mais intensos e difíceis de aliviar”, finaliza. Segundo o médico, algumas condições crônicas podem ser potencializadas pela presença do vírus e, por isso, indivíduos que se enquadram nestas características devem ficar atentos a todos os cuidados sanitários recomendados durante a pandemia, visto que não existem métodos específicos de prevenção para estas manifestações.

Imagem: Girl photo created by cookie_studio – www.freepik.com

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