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Efeito colateral de vacina contra Covid-19 pode ser confundido com câncer de mama, apontam estudos

Após passar por imunização, pacientes relatam surgimento de linfonodos axilares; Segundo especialista da FIDI, sintoma caracteriza resposta imunológica e não causa prejuízos à saúde

Após o início das campanhas mundiais de vacinação contra a Covid-19, foram observadas algumas respostas imunológicas à primeira ou segunda dose como, por exemplo, o aumento de linfonodos axilares, segundo estudo publicado na revista científica American Journal of Roentgenology¹. Este reflexo do corpo humano, representada por nódulos sensíveis, vem causando medo entre as mulheres e centros de imagem que, ao perceberem o inchaço nas axilas, suspeitam da possibilidade de câncer de mama.

A reação foi identificada nos casos dos imunizantes da Moderna e da Pfizer/BioNTech por meio de testes de larga escala2, os quais apresentaram os seguintes resultados: nos testes feitos pela farmacêutica Moderna, 11,6% dos pacientes relataram nódulos linfáticos inchados após a primeira dose e 16% observaram o sintoma após a segunda dose. Nos imunizados com a vacina da Pfizer/BioNTech, a taxa foi bem menor: apenas 0,3%.

De acordo com Vivian Milani, médica radiologista especializada em mamas da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), outros casos devem aparecer em exames de imagem como mamografias, tomografias computadorizadas ou ressonância magnética, sendo confundidos com falsos tumores. “É comum que os gânglios linfáticos apareçam no mesmo lado em que a vacina foi aplicada, como efeito colateral a vacina, em até 4 semanas após o recebimento de uma ou das duas doses”, explica.

Entretanto, o desespero ao sentir os nódulos não é necessário. “A resposta imunológica à vacina não indica alterações mamárias, muito pelo contrário. Trata-se de um acontecimento normal enquanto o corpo está construindo uma resposta imunológica para combater o vírus.” De acordo com estudo2, pacientes que observarem alguma reação do tipo, podem procurar seu médico para uma avaliação, mas a conduta a ser realizada é aguardar entre 4 e 6 semanas para realizar um novo exame de imagem e confirmar se os nódulos axilares desapareceram ou involuíram.

A médica ainda observa que, para diminuir a ansiedade e as desconfianças, é preconizado que a mulher realize a mamografia anual, a partir dos 40 anos. Antes desta idade, o indicado é passar pelo ultrassom também anual das mamas, se possível antes de receber as doses da vacina contra a Covid-19. Além disso, Dra. Vivian destaca a importância de centros de imagem verificarem se as pessoas foram vacinadas antes da realização de exames, no intuito de evitar o susto com possíveis linfonodos axilares.

Referências Bibliográficas

1 Management of Unilateral Axillary Lymphadenopathy Detected on Breast MRI in the Era of Coronavirus Disease (COVID-19) Vaccination. Christine E. Edmonds, Samantha P. Zuckerman, Emily F. Conant. Fevereiro de 2021.

2 Mitigating the Impact of Coronavirus Disease (COVID-19) Vaccinations on Patients Undergoing Breast Imaging Examinations: A Pragmatic Approach. Constance D. Lehman, Leslie R. Lamb, Helen Anne D’Alessandro. Fevereiro de 2021.

Imagem: People photo created by KamranAydinov – www.freepik.com

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