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Insulina faz 100 anos e segue inovando no combate mundial a diabetes

Da injeção à versão inalável, medicamento evolui para agir de forma mais parecida com o hormônio produzido pelo próprio corpo

Com estimativa de 16 milhões de diabéticos, Brasil é o quarto país no ranking mundial da doença, tem medicamentos de primeira linha, mas precisa ampliar o acesso, segundo especialistas

A insulina completa 100 anos no dia 27 de julho e segue inovando no combate mundial ao diabetes. Os pesquisadores procuram desenvolver novos medicamentos que se aproximem cada vez mais da ação natural do hormônio produzido pelo pâncreas. A diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue usá-la corretamente, comprometendo o controle glicose no sangue e causando diversos danos à saúde. Pode levar à morte se não houver tratamento adequado.

O objetivo final dos cientistas é elevar a qualidade de vida dos pacientes e minimizar as complicações da doença — uma das que mais crescem globalmente, segundo a Federação Internacional de Diabetes. Os casos deverão subir de 463 milhões (2019) para 578 milhões em 2030, como prevê a entidade.

Atualmente, o mecanismo de ação da insulina inalável é o que mais se assemelha ao hormônio produzido pelo organismo, na categoria de ação rápida. “Ela é um marco na história do diabetes e muito útil para pacientes que necessitam melhorar o controle das hiperglicemias, ou seja, aumento da taxa de açúcar no sangue após as refeições. Diminui o número de injeções de insulina, que gira em torno de quatro a seis por dia para a grande maioria dos pacientes com diabetes tipo 1 e para muitos com diabetes tipo 2 em fase de insulinização plena”, afirma o endocrinologista Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – Regional Estado do Paraná.

No Brasil, há 16 milhões de diabéticos, como estima a SBD. É o quarto país no ranking mundial da doença, depois de China, Índia e Estados Unidos. O país dispõe das mesmas insulinas comercializadas globalmente, incluindo a única inalável no mundo, Afrezza, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e lançada no mercado nacional pela biofarmacêutica brasileira Biomm, em parceria com a norte-americana Mannkind no ano passado.

 O futuro aponta para inovações como, por exemplo, insulina basal de uso semanal e insulinas do tipo análogas mais rápidas do que as atuais, segundo o endocrinologista Marcio Krakauer, coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Telemedicina da SBD.

Mas o Brasil ainda tem dois grandes desafios a vencer: controlar o avanço da doença e ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos.

 Crescimento da doença e acesso aos tratamentos

 A comercialização de insulina cresceu de 22 milhões de frascos, em 2018, para 31 milhões em 2020, segundo dados do IQVIA. Até maio deste ano, foram 13 milhões de frascos. Estes números refletem a elevação de casos e, também, do acesso ao medicamento, segundo os especialistas.

 A chamada insulina humana (NPH ou Regular) é a mais consumida no país: 87% das vendas, segundo o IQVIA. É distribuída pelo sistema público de saúde sem custo para os pacientes. Os 13% restantes são de insulinas análogas de ação lenta, rápida e ultrarrápida.

 “Quanto mais rápida, melhor, porque imita a ação do pâncreas no controle da glicose. Portanto, as análogas são mais eficazes pela rapidez do efeito, melhor controle da glicemia e por causar menos picos de hipoglicemia, ou seja, menos quedas bruscas da taxa de açúcar no sangue, do que as insulinas humanas”, explica o Dr. Krakauer.

 “Já assistimos o recente barateamento das insulinas análogas. O que falta agora são as fontes pagadoras como, por exemplo, planos de saúde, realizarem cálculos que demonstrem melhores resultados clínicos e econômicos com a utilização dessas insulinas. Gastar um pouco mais com uma insulina melhor pode significar milhões de reais em economia na prevenção de complicações crônicas como insuficiência renal, perda de visão, amputações, doenças cardiovasculares e internações com quadros de cetoacidose ou hipoglicemias graves”, comenta o Dr. Scharf.

A ampliação do acesso também está relacionada ao crescimento da oferta e da produção do medicamento no país, de acordo com Ciro Massari, diretor da Biomm. “Nos últimos dois anos, lançamos três insulinas no Brasil: Afrezza, Wosulin e Glargilin e construímos uma fábrica com capacidade para produzir 20 milhões de frascos-ampolas e 20 milhões de carpules por ano, a ser aprovada pela ANVISA, para contribuir de forma significativa para o tratamento dos brasileiros com diabetes”, afirma.

“Insulina é vida, um marco transformador da vida de muitas pessoas, que está em constante evolução científica e que vem sendo aprimorada de forma continuada para trazer cada vez mais qualidade de vida às famílias e pessoas tocadas por esta doença”, conclui o Dr. Scharf.

Imagem: World photo created by jcomp – www.freepik.com

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