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A importância da atenção primária no tratamento de doenças crônicas

Por Emilio Puschmann*

No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes, doenças respiratórias e hipertensão, são responsáveis por mais de 70% das mortes ao ano. Esse tipo de comorbidade se desenvolve lentamente ao longo da vida e muitas delas ainda não têm cura. Por isso, o cuidado coordenado e as ações voltadas à atenção primária à saúde (APS) são tão importantes. 

Com o médico de família e enfermeiro como figuras centrais, o atendimento da APS é voltado para o paciente e não para a queixa que ele apresenta. Isso é essencial para o acompanhamento contínuo e mudança de hábitos para melhora do quadro clínico, uma vez que o profissional, por conhecer todo o histórico do paciente e acompanhá-lo de perto, pode influenciar positivamente nas decisões, conforme sua rotina e estilo de vida. Na Amparo Saúde, dos três CIDs (Classificação Internacional de Doenças) que mais atendemos no último ano, dois são relacionados a doenças crônicas: obesidade, hipertensão e ansiedade. 

Conseguimos perceber a importância do acompanhamento por este profissional quando nos damos conta que no modelo que mais funciona com a saúde privada aqui no Brasil, baseado no tradicional livrinho do convênio, os profissionais de saúde têm contato com os pacientes por poucas horas em um ano. Isso quando não são feitos atendimentos com mais de um profissional da mesma especialidade por mês. Uma consulta puxa a outra. E isso não significa mais resultados em saúde, somente mais gastos – de tempo e dinheiro.

Adotar ações voltadas à APS não apenas reduz os gastos excessivos com consultas e exames, como garante um acompanhamento médico personalizado, permanente e favorece melhores desfechos clínicos.  No Brasil, o SUS faz um excelente trabalho com os médicos de família. Está na hora da saúde suplementar adotar os mesmos hábitos e oferecer uma melhor coordenação do cuidado, empoderando as pessoas a autogerenciarem sua saúde, assim como já acontece em países como Inglaterra, Canadá e Alemanha.

*Emilio Puschmann é CEO e cofundador da Amparo Saúde, healthtech pioneira em atenção primária à saúde (APS) presencial e remota no Brasil.

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