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Prevalência de sequelas pós-COVID reforça importância de serviços exclusivos para o tratamento destas complicações

Hospital Santa Catarina – Paulista inaugurou um ambulatório exclusivo para reabilitação física e psicológica de pacientes com doenças ligadas à COVID longa. Dados do serviço mostram que a pneumologia é a especialidade mais requisitada

Pouco se sabe sobre a origem das diferentes sequelas causadas pela síndrome pós-COVID, porém, para aqueles acometidos por estas repercussões, um tratamento e monitoramento adequados são essenciais para evitar comprometimentos a longo prazo na qualidade de vida. Um estudo internacional que utilizou como base 18 mil pesquisas sobre o tema, identificou que cerca de 80% daqueles acometidos pela infecção causada pela COVID-19 apresentam sintomas posteriores ao tratamento da doença, surgindo em média, duas semanas após a cura. No caso de pacientes que foram infectados e já possuíam alguma condição pré-existente, o surgimento destas complicações decorrentes pode ser um fator agravante. É neste contexto que serviços como o ambulatório pós-COVID, administrado pelo Hospital Santa Catarina – Paulista, ganham destaque ao fornecer atendimentos exclusivamente voltados à reabilitação física e psicológica de indivíduos que apresentaram complicações desta natureza.

O projeto do ambulatório estruturado pela instituição foi formalmente estabelecido em abril deste ano, porém o acompanhamento de pacientes que tiveram alta após infecção pelo coronavírus já era feito desde março de 2020. Até o momento, o espaço contempla assistência voltada a diversas especialidades, entre elas a Cardiologia, Otorrinolaringologia, Endocrinologia, Geriatria, Fisiatria, Hematologia, Infectologia, Nefrologia, Neurologia, Pneumologia, Fisioterapia, Nutrição e Psicologia. De acordo com a Dra. Simone Raiher, Coordenadora Médica do Hospital Santa Catarina – Paulista, no espaço de um mês após a inauguração oficial do espaço, mais de 50 pacientes foram atendidos. “O aparecimento de sequelas é frequente e muitos apresentam sintomas tardios relacionados à doença. Temos uma boa adesão ao plano de cuidado, que demonstra a necessidade que os pacientes sentem de assistência após a alta”, explica a Dra. Raiher.

Até o momento, não foram divulgados estudos ou pesquisas que identificam possíveis medidas preventivas contra a manifestação destas complicações. Por outro lado, o Dr. Milton Inoue, Gerente Médico do Hospital Santa Catarina – Paulista, aponta que o ambulatório do hospital já mapeou possíveis grupos de risco associados ao fenômeno, com base no perfil dos pacientes que solicitam atendimento no local. “Os pacientes obesos, com doenças prévias como Diabetes, hipertensão arterial sistêmica, Doenças pulmonares, portadores de neoplasias e doenças imunossupressoras estão entre os mais afetados”, adiciona. Vale notar que qualquer paciente acometido pela COVID-19, independentemente da gravidade do quadro, corre o risco de apresentar sequelas decorrentes da infecção. Mesmo quando se trata de casos leves, estas repercussões devem ser adequadamente monitoradas, pois, caso contrário, elas podem evoluir e impactar, a longo prazo, a qualidade de vida daqueles acometidos.

Dados do hospital apontam que a especialidade com maior demanda atrelada é, de longe, a Pneumologia, mostrando que os sintomas respiratórios frequentemente vão além do período de acometimento. Cerca de 75% dos pacientes que passaram pelo ambulatório precisaram de atendimento associado a esta especialidade. “Entre todas as sequelas mapeadas, as principais são a falta de ar, fadiga muscular e polineuropatia do paciente crítico, cefaleia e alterações de memória. A de maior incidência foi a falta de ar, também conhecida como dispneia”, adiciona a Dra. Raiher. Caracterizada pela dificuldade e sensação de cansaço ao respirar, esta complicação pode atingir até 24% daqueles que já tiveram alta, após acometidos pela infecção, segundo dados de uma pesquisa que reuniu universidades do México, Suécia e EUA.

De acordo com a Dra. Raiher, as sequelas que apresentam maior dificuldade no tratamento são os transtornos de memória e a fadiga muscular. “A reabilitação da memória, por exemplo, está entre as mais complicadas, devido à complexidade associada à realização da avaliação neuropsicológica, pois se trata de um exame longo e com diversas etapas. Não é fácil reconhecer problemas de memória em atividades diárias menores. Isto depende de uma anamnese muito minuciosa”, completa. Vale notar que, além das manifestações físicas, as sequelas podem levar a condições psicológicas, que também são contempladas como um aspecto relevante do serviço oferecido pelo ambulatório do hospital. “O suporte psicológico é importante para o restabelecimento da saúde mental da família dos pacientes e do próprio paciente”, complementa o Dr. Inoue.

Visando garantir a segurança dos médicos, pacientes e visitantes que frequentam o local, o Hospital Santa Catarina conduziu uma série de adaptações, alinhadas às recomendações da Organização Mundial da Saúde, para reforçar os cuidados sanitários no espaço. “Realizamos as adaptações nos locais de atendimento com a sinalização necessária para realizarmos o distanciamento social, dispensadores de álcool gel de fácil acesso, além de orientadores sobre os cuidados necessários para evitarmos a transmissão do vírus nestes ambientes”, finaliza o gerente.

Imagem: Woman photo created by DCStudio – www.freepik.com

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