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Explante Mamário: nova tendência em cirurgia plástica

Por Dra. Leticia Odo (Cirurgiã-Plástica e especialista em tratamento capilar)*

Nos últimos anos, a tendência natural beauty, ou seja, da beleza mais natural, está presente nas redes sociais, em debates na mídia e nos consultórios de cirurgia plástica em todo o mundo. Pacientes que procuram por procedimentos como rinoplastia ou mamoplastia, pedem por resultados mais naturais. Nessa linha, segue aumentando gradativamente o número de pessoas que procuram pelo explante mamário, ou seja, a retirada das próteses de silicone, seja por razões estéticas ou de saúde.

O explante mamário está entre as principais tendências das cirurgias plásticas de 2021. A indicação para realização do procedimento pode vir do próprio médico, devido ao tempo de inserção das próteses, ou como pedido do paciente. A cirurgia vem sendo realizada com maior frequência por cirurgiões plásticos e tem apresentado técnicas e resultados cada vez mais satisfatórios.

Próteses de mamas

As próteses são estruturas em silicone ou gel e utilizadas em pacientes que realizaram cirurgias para retirada de mama (mastectomia), por mulheres que têm seios muito diferentes ou para o aumento do volume das mamas. Elas geralmente corroboram para a melhora na autoestima das pacientes, e, em caso de mastectomia ou retirada de uma das mamas, por exemplo, ajudam a corrigir a postura.

Existem alguns formatos de próteses disponíveis, e, fatores como o tamanho do tórax e a posição influenciam na escolha, que varia de acordo com a necessidade e desejo de cada paciente. Os formatos podem ser redondo (baixo, médio ou alto), anatômico (gota) ou cônico. A decisão depende de uma avaliação minuciosa do médico e uma discussão com a paciente.

Possíveis complicações

Como todo procedimento cirúrgico, é possível que haja complicações no pós-operatório. As mais comuns são dor no peito, endurecimento da mama, sensação de peso, diminuição da sensibilidade das mamas e hematomas – que podem causar inchaço e vermelhidão.

O corpo pode, por exemplo, rejeitar a prótese de silicone – condição chamada de contratura capsular, em que o corpo cria uma membrana mais espessa em volta dela. Essa reação causa dor, desconforto e aumento da sensibilidade. Nesse caso, deve ser realizada rapidamente a troca da prótese. Outra possível complicação é a ruptura da cápsula , sendo o explante mamário obrigatório nessa situação.

Em casos ainda mais graves, podem ocorrer complicações que ficaram popularmente conhecidas como Breast Implant Illness (BII), ou, “doença do silicone”. Porém, é importante salientar que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) segue a posição da entidade americana FDA (Food and Drug Admnistration), que não reconhece esse diagnóstico médico e não há testes específicos ou critérios reconhecidos para sua definição.

Entre o conjunto de complicações da BII, se a paciente já apresentava alguma predisposição ao desenvolvimento de doenças autoimunes, colocar a prótese pode ser um gatilho para a Síndrome Autoimune Induzida por Adjuvantes (ASIA), quando substâncias externas provocam uma reação imunológica exagerada do organismo, fazendo com que o corpo tente se defender da substância não reconhecida. As consequências podem ser processos inflamatórios ou condições clínicas, que devem ser tratadas com acompanhamento médico.

Uma das possibilidades de complicação ainda mais grave é o desenvolvimento de células anaplásicas na cápsula da prótese mamária, ocasionando um tipo raro de linfoma das células grandes, câncer do sistema imunológico. Quando detectado precocemente, o tratamento é a retirada da prótese.

Explante mamário

Explante mamário é o nome dado à cirurgia de remoção das próteses. É normal que ocorra o explante das próteses depois de 10 anos da sua implantação, que é o tempo recomendado para a troca do silicone. A cirurgia geralmente utiliza os mesmos locais de incisão, para retirá-la. O explante pode retirar apenas a prótese, ou também a cápsula que o corpo formou em volta dela – em casos de contratura capsular ou do desenvolvimento de linfoma, por exemplo. Vale dizer que essa retirada pode causar algum grau de flacidez nas mamas.

A procura pode ter aumentado pelas tendências de natural beauty e também pelo isolamento social em decorrência da pandemia – que fez com que as pessoas sofressem menos influências externas e começassem a se ver de maneira diferente. Entre 2018 e 2019, os explantes representaram 10,7% – desde 2015, houve um aumento de 49,7%, sendo o Brasil o segundo país que mais realiza o procedimento, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

É de extrema importância que o processo de explante mamário, independentemente de suas razões, seja acompanhado por um médico qualificado. E que toda a decisão seja pensada levando em conta a saúde física e mental da paciente.

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*A Dra. Leticia Odo é formada em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina (EPM). Foi Preceptora dos residentes da Disciplina de Cirurgia Plástica da UNIFESP em 2011 e colaboradora no setor de Estética, orientando e especializando-se em cirurgias de Face. Possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Além de ser membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Membro da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar. Faz parte do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo, como o Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio Libanês entre outros hospitais conceituados. https://clinicasodo.com.br/index.php/dra-leticia-odo/

Imagem: Woman photo created by gpointstudio – www.freepik.com

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