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Mesmo afetando a respiração, asma não é fator de risco para a COVID-19

Pneumologista do Hospital Pasteur confirma que experiência clínica reforça conclusões de pesquisa da Unicamp

Um grupo de pesquisadores da Unicamp avaliou a relação entre o diagnóstico prévio de asma e o desenvolvimento da COVID-19 em pacientes infectados, com base em dados de artigos científicos publicados durante os primeiros seis meses da pandemia. A revisão avaliou os quadros clínicos e antecedentes médicos de mais de 160 mil pacientes com COVID-19 e concluiu que somente 1,6% tinham diagnóstico prévio de asma. A pesquisa ilustra a realidade da experiência vivida no dia-a-dia pelo médico Ricardo Fraga, pneumologista do Hospital Pasteur.  “Na prática, vimos que apenas os asmáticos severos são os mais sujeitos a complicações. Dessa maneira, apenas em sua forma mais grave, a asma pode sim ser um fator de risco”, explica Ricardo Fraga. Mas, é importante ressaltar, isso não permite que o asmático “baixe a sua guarda” nas medidas de proteção contra o novo coronavírus pois a asma pode se intensificar durante o quadro de COVID-19.

Por ser uma doença crônica, com forte componente inflamatório, a enfermidade pode aumentar a chance do desenvolvimento de pneumonias provocadas por vírus e bactérias, de forma mais grave. Diante desse quadro, o que se pensou num primeiro momento é que asmáticos seriam mais vulneráveis à COVID-19. Porém, passado um ano e meio de pandemia, os dados analisados por pesquisadores derrubaram essa hipótese. O pneumologista do Hospital Pasteur indica, no entanto, que apesar de não se configurar como um fator de risco, os sintomas da asma podem ser confundidos com os da COVID- 19. “Como ambas enfermidades estão associadas a ataques ao sistema respiratório, os sintomas inicialmente podem ser parecidos. Apenas os exames laboratoriais podem descartar a COVID-19. Alguns dos sintomas mais comuns da asma são a tosse seca e recorrente e a dificuldade de respirar quando exposto a elementos externos como poeira, fumaça de cigarros e a fenômenos como a polinização”, diz Ricardo Fraga.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, estima-se que 20 milhões de brasileiros sofram de asma. O exame diagnóstico mais comum é a espirometria (teste de soprar). Porém, há restrições da sua aplicação em algumas idades.

“A asma é uma doença inflamatória crônica, em sua grande maioria adquirida geneticamente. Quando um dos pais tem asma, a chance do filho desenvolver é de 30 a 40%. Caso ambos tenham, esse número salta para 60%. Apesar de não ter cura, os medicamentos disponíveis hoje são extremamente eficazes, de fácil acesso”, pontua Ricardo Fraga, acrescentando que a suspeita de asma também deve ser checada em outras situações, tais como pneumonia de repetição associada à sibilância e doença do refluxo gastroesofágico associado à sibilância, entre outras ocorrências.

O tratamento da enfermidade é feito principalmente com anti-inflamatórios, como corticoides. “O uso dos remédios em sua forma em spray (bombinhas) é bastante eficaz e não costuma causar danos ao corpo. Há ainda tratamentos com pó seco através de diferentes dispositivos inalatórios”, explica Ricardo Fraga. Segundo ele, em casos mais severos, também são usados broncodilatadores de longa duração associados ao corticoide inalatório. Além dos medicamentos, outras práticas podem ajudar no controle das crises. “O asmático deve levar uma vida bem próxima do normal. Com o acompanhamento médico regular e estando o paciente estabilizado, serão poucas as restrições”, comenta o pneumologista. “Dessa forma, hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas, contribuem muito para a estabilização dos quadros. Outra recomendação é que o portador da doença evite ambientes e situações que possam desencadear crises, como a exposição a produtos de limpeza com cheiros fortes, e sempre mantenha a casa limpa e livre de poeiras, fungos e ácaros”, complementa Ricardo Fraga.

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