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No Agosto Branco, conheça os avanços médicos no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apenas 16% dos casos de câncer de pulmão são descobertos precocemente. Porém, as indicações mais frequentes de exames de imagem para a região do tórax, desde o início da pandemia pelo novo coronavírus, podem estar facilitando a investigação de doenças pulmonares em estágios iniciais.

Neste mês dedicado à campanha Agosto Branco, de conscientização e prevenção do câncer de pulmão, há avanços a serem celebrados. O alerta com a saúde respiratória foi intensificado no último ano. No arsenal contra esse tipo de câncer, estão o uso de análise genética – tanto para a precisão diagnóstica, quanto para a definição do melhor tratamento para cada caso –, seguido de novas terapias e do desenvolvimento de programas antitabagismo. 

Mortalidade diminui, mas ainda persiste
Uma análise publicada no New England Journal of Medicine em agosto de 2020 demonstrou que a mortalidade em nível populacional devido ao câncer de pulmão diminuiu acentuadamente de 2013 a 2016. No entanto, segue sendo o tipo de câncer que mais mata todos os anos – diagnosticado em mais de 30 mil brasileiros, correspondendo a cerca de 13% de todos os casos de câncer registrados no ano, conforme dados do INCA e, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer, de 2019, é responsável por 29.354 mortes anualmente no país.

“Se considerarmos os índices de mortalidade por tumores de mama, gastrointestinais e urológicos, o de pulmão, sozinho, ainda é o mais letal. Sendo que um dos principais fatores de risco atribuído ao câncer está relacionado a um comportamento, que pode ser revertido, que é o hábito de fumar”, pontua a oncologista Tatiane Montella, da Oncoclínicas-RJ.

Comprovadamente, a população de fumantes têm maior risco de desenvolver casos mais graves e letais de COVID-19. Para ajudar quem precisa, programas de cessação de tabagismo e grupos de apoio são oferecidos gratuitamente nos municípios e em instituições privadas também, contando com o apoio de empresas que promovem ambientes mais saudáveis.

Novos tratamentos aumentam conforto do paciente
Um dos principais pontos para o maior sucesso dos tratamentos contra o câncer de pulmão é o diagnóstico precoce. Quanto mais precoce o diagnóstico maior a chance de cura. Na doença inicial a cirurgia é o grande pilar do tratamento

Recentemente, porém, evoluções significativas mudaram a expectativa de vida e o tratamento até mesmo na doença mais avançada, com grande destaque para a imunoterapia.

O oncologista clínico Carlos Gil Ferreira, líder de tumores torácicos do Grupo Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas, explica que alguns tipos de câncer são capazes de driblar o sistema imunológico usando uma espécie de ‘camuflagem’ para não serem notados ou ‘desligando’ os mecanismos responsáveis por identificar que há algo errado com aquela célula.

“A imunoterapia tem então a missão de potencializar o sistema de defesa do corpo para combater o câncer, oferecendo ferramentas para que o organismo enxergue essas células anormais e as combatam. Ou seja, o caminho passa a ser o fortalecimento do sistema imune do próprio indivíduo, com menos chances de efeitos colaterais e aumentando não apenas as possibilidades de sucesso, mas também de bem-estar ao paciente”, argumenta Carlos.

O médico lembra que nem todos os casos permitem o tratamento com esta técnica, mas estudos para descoberta de novos medicamentos seguem em curso. Atualmente, os imunoterápicos também podem ser adotados para tratar cânceres de bexiga, rins, cabeça e pescoço, melanoma, leucemia e linfoma de Hodgkin.

Em outra frente, os pesquisadores focam seus esforços nos marcadores genéticos, que permitem identificar cerca de dez tipos de genes contendo mutações causadoras de câncer. A identificação permite ao oncologista decidir qual técnica é a mais adequada para a alteração genética encontrada no paciente, aumentando as taxas de eficácia do tratamento.

Mitos e verdades
Para ajudar na conscientização e prevenção do câncer de pulmão, separamos abaixo algumas das perguntas mais frequentes a respeito da doença, respondidas pela oncologista Tatiane Montella.

Nódulos no pulmão estão relacionados a câncer?
Não necessariamente. Dezenas de milhares de pessoas são diagnosticadas com nódulos pulmonares e uma parcela muito pequena está relacionada a câncer de pulmão. É importante a investigação e o acompanhamento com profissionais especializados, que possibilitam o diagnóstico de casos da doença em estágio inicial e minimizam a realização de cirurgias desnecessárias.   

Existe cura para o câncer de pulmão?
Sim. Tudo depende do estágio em que é diagnosticado e tratado.

Quem tem asma ou outros problemas respiratórios possui maior risco de desenvolver câncer?
Em relação às doenças respiratórias, a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) é a que tem uma forte relação com câncer de pulmão. A inflamação crônica da DPOC parece desempenhar um papel significativo no desenvolvimento do câncer do pulmão, aumentando o risco de 4 a 5 vezes.

Nunca tive problema pulmonar e não fumo. Ainda assim, tenho chances de desenvolver o câncer?
Sabemos que em torno de 85% dos pacientes que apresentam câncer de pulmão são tabagistas. Entretanto, 15% aproximadamente são pacientes que nunca fumaram. O reconhecimento das mutações genéticas explica o comportamento diferente desta população assim como guia o tratamento alvo direcionado.

As sequelas resultantes da COVID-19 podem aumentar as chances de desenvolver câncer ou mascarar sintomas da doença?
Assim como a doença provocada pelo SARS-CoV-2, entre os sintomas do câncer de pulmão está a tosse persistente, falta de ar e cansaço. Fazer diagnóstico diferencial entre essas duas doenças em tempos atuais pode ser um grande desafio.

O câncer de pulmão pode ocorrer em jovens?
Apesar da idade mais comum de diagnóstico ser a população mais idosa, alguns pacientes jovens podem apresentar câncer de pulmão. Esses pacientes normalmente não são tabagistas e apresentam alguma mutação molecular. 

Fumar continua sendo o maior fator de risco hoje em dia?
O cigarro certamente é o principal fator de risco relacionado ao câncer de pulmão.

Vacinas, como a contra a pneumonia, também são formas de prevenção?
A vacina da pneumonia ajuda na prevenção de doenças pneumocócicas como pneumonia, meningite e otite. Não há relação conhecida com redução de risco decâncer de pulmão.

Imagem: Design photo created by rawpixel.com – www.freepik.com

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