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Incidência de insuficiência cardíaca aguda em pacientes internados por Covid-19 pode chegar a 20%

Informações apresentadas no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) também evidenciaram que o risco de mortalidade é maior em pacientes que desenvolveram a condição

Pacientes internados por conta da Covid-19 apresentam uma incidência total de insuficiência cardíaca aguda de aproximadamente 20%. Tal complicação se associou a um risco significativamente maior de mortalidade nessas pessoas, quando comparadas àquelas que não desenvolveram insuficiência cardíaca. Essas são informações extraídas de uma revisão sistemática e metanálise, realizada por pesquisadores do Hospital Universitário de Ferrara, na Itália, e apresentada durante a edição de 2021 do congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), que aconteceu entre os dias 27 e 30 de agosto. Para essa pesquisa específica, foram incluídos 6 estudos clínicos, com um total de 1064 pacientes.

A relação entre a Covid-19 e a insuficiência cardíaca, no entanto, não se limita apenas à incidência de insuficiência cardíaca aguda durante a infecção ou ao maior risco de infecção grave que estes pacientes apresentam. As pesquisas destacaram a dificuldade que muitas pessoas tiveram em conseguir assistência médica durante o período de isolamento social. “Durante essa fase, houve uma queda no número de internações por doenças cardíacas. Além disso, a proporção de pessoas com problemas cardíacos sendo assistidas por médicos não cardiologistas também aumentou. Tais fatores tiveram impacto inclusive na quantidade de dispositivos cardíacos implantados para o tratamento de insuficiência cardíaca”, destaca a Dra. Gabriela Prado, que integra a base de médicos especialistas da MDHealth.

Alguns desses dados foram obtidos por meio de um estudo realizado pelo Hospital Geral de Changi, em Singapura, que analisou a diminuição da procura por assistência médica durante o período de isolamento social. Houve uma redução significativa no número de internações por insuficiência cardíaca na fase de isolamento, porém, durante a fase de reabertura, o número de admissões cresceu de forma significativa.

Já um trabalho desenvolvido pelo Addenbrooke’s Hospital, hospital universitário e centro de pesquisa de renome internacional em Cambridge, mostrou que, devido à elevada demanda por médicos nesse período, muitos pacientes com cardiopatias foram acompanhados por médicos não cardiologistas, o que levou a uma queda na quantidade de implantes de dispositivos cardíacos eletrônicos, que são parte fundamental do tratamento da insuficiência cardíaca. De acordo com o estudo, essa queda também foi impactada pela tendência das equipes de considerar os pacientes mais frágeis e com pior prognóstico durante esse período, além de uma excessiva pressão do sistema de saúde por altas precoces.

“Precisamos considerar que a pandemia continua e, com base nas informações obtidas nessas novas pesquisas, devemos investir em medidas educativas e na criação de protocolos institucionais para que os pacientes consigam um atendimento mais eficiente. Lembrando que a Covid-19 aumenta o risco de mortalidade tanto para quem já tem insuficiência cardíaca quanto para quem desenvolve essa doença como consequência da Covid-19”, explica a Dra. Prado.

Imagem: Background photo created by jcomp – www.freepik.com

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